MISSÃO

Umbanda, Corrente constituída na Espiritualidade, foi plasmada e anunciada no plano físico, sob a forma de religião, cujo termo inicial no orbe terreno concretizou-se em 15/16 de novembro de 1908, no antigo distrito e atual bairro de Neves, São Gonçalo - RJ, através do iluminado espírito Caboclo das Sete Encruzilhadas, tendo como veículo de manifestação o saudoso, querido e inesquecível médium Zélio Fernandino de Moraes.

Com o passar dos anos, a religião, por não possuir dogmas, e aberta a todos que Dela necessitam e também a todos os espíritos que a ela se integraram, por afinidade, resgate ou missão, respeitando as regras estabelecidas para a difusão e manutenção da identidade do novo segmento religioso, começou a sofrer um contínuo e crescente processo de influências provindas de outras expressões religiosas, reflexo do fluxo migratório atraído para a Umbanda.

Em sua grande maioria, as influências supracitadas não refletiam nem refletem os reais valores morais, éticos, espirituais e altruístas da Corrente Astral de Umbanda, acabando por induzir muitos irmãos de fé a terem noção equivocada do que pode ser conceituado como Umbanda. Desta forma, advieram consequentemente nomenclaturas infundadas que passaram a contribuir sobremaneira para a desagregação do Movimento Umbandista (conjunto de pessoas vinculadas à Umbanda). Surgiram nomes tais como umbanda branca, umbanda exotérica, umbanda africanista, umbanda oriental, umbandomblé, umbanda omolocô, e uma série de outros designativos que nada mais são do que variantes surgidas a partir da implantação de doutrinas, preceitos e ritualísticas alienígenas dentro da Umbanda.

O JORNAL UMBANDA HOJE nasceu antes do advento da internet no Brasil, tomando forma de periódico impresso pelo abnegado esforço de irmãos umbandistas, insatisfeitos em observarem a Umbanda ser menosprezada, quando não achincalhada por seus detratores, sem que os umbandistas pudessem contrapor, de forma séria e dedicada, as infundadas acusações e discriminações lançadas sobre nossa religião. Se não bastassem os ataques externos, dentro da própria religião muitos sacerdotes davam (e ainda dão) munição diária aos adversários, transformando vários terreiros em palco para manifestações de vaidade, egocentrismo e espetáculos circenses. A estes também impomos a muralha da resistência, dos reais valores trazidos pela Espiritualidade, do conhecimento. Contrariados em seus espúrios interesses, protestaram e tramaram na calada da noite e no anonimato. Não desistimos. E os frutos que colhemos espelharam o caminho correto percorrido: templos de umbanda se tornaram amigos do jornal, médiuns e assistentes procuravam cada vez mais se abastecer das informações inseridas em nossas edições impressas, que não se limitavam a esclarecimentos doutrinários, tornando público e exaltando as virtudes e atividades daqueles que contribuíam e contribuem para o progresso da Umbanda.

Estivemos no formato impresso e virtual simultaneamente. E alcançamos mais e mais leitores e amigos por este vasto país. E chegou o tempo de darmos uma parada, tanto no periódico físico, quanto no site. Respiramos, refletimos, observamos os pesos e contrapesos de nosso trabalho. E aqui estamos, retornando para a mídia digital com vigor, assentados na seriedade, respeitabilidade e credibilidade, adquiridos com muito suor e renúncias. Os que nos conhecem do passado sabem o que afirmamos. Os que passarão a nos conhecer, e que desejam o melhor para a Umbanda, hão de atestar nosso compromisso para com a religião.

Ao trabalho!

Saravá Umbanda!

UMBANDA

Fatos precedentes e sua História


Informamos aos amigos internautas, umbandistas ou não, que o presente tema é baseado em fatos, e não em lendas ou hipóteses, que não podem ser comprovadas, e que devem ficar no campo da crença.

Torna-se imperioso, antes de ocuparmo-nos da Anunciação da Umbanda no plano físico sob a forma de religião, expor sinteticamente um histórico sobre os precedentes religiosos e culturais que precipitaram o surgimento, na primeira década do século XX, da única e genuína Religião Brasileira.

No ano de 1500, quando os portugueses avistaram o que para eles eram as Índias, em realidade Brasil, ao desembarcarem, ficaram encantados com terras de beleza deslumbrante e habitada por nativos. A estes aborígines os lusitanos, por imaginarem estar nas Índias, denominaram de índios.

Os primeiros contatos entre os dois povos foram, na sua maioria, amistosos, pois os nativos identificaram-se com alguns símbolos que os estrangeiros apresentavam. Porém, o tempo e a convivência se encarregaram em mostrar aos habitantes de Pindorama (Terra das Palmeiras, nome indígena do Brasil) que os homens brancos estavam alí por motivos pouco nobres. O relacionamento até então pacífico começa a se desmoronar.

São inescrupulosamente escravizados e forçados a trabalhar, primeiro na extração de bens (ouro, prata, madeira etc.) e depois na lavoura. Reagem, resistem, e muitos são ceifados de suas vidas em nome da liberdade. Mais tarde, o escravizador faz desembarcar na Bahia os primeiros negros escravos que, sob a égide do chicote, são despejados também na lavoura. Como os índios, sofreram toda a espécie de castigos físicos e morais, e até a subtração da própria vida.

Desta forma, índios e negros, unidos pela dor, pelo sofrimento e pela ânsia de liberdade, desencarnavam e encarnavam nas Terras de Santa Cruz.

Ora laborando no Plano Astral, ora como encarnados, estes espíritos lutavam incessantemente para humanizar o coração do homem branco, e fazer com que alguns irmãos de raça sublimassem o rancor, o ódio, e o sofrimento que lhes foram e eram infligidos.

De outra parte, a igreja católica, preocupada com a expansão de seu domínio religioso, investia covardemente para eliminar a religiosidade negra e índígena. Muitas comitivas sacerdotais são enviadas, com o intuito “nobre” de “salvar” a alma dos nativos e dos africanos.

Os anos sucedem-se. Em 1888 é assinada a Lei Áurea. O quadro social dos ex escravos é de total miséria. São abandonados à própria sorte, sem um programa governamental de inserção social.

No campo astral, os espíritos que tinham tido encarnação como índios, mamelucos, cafuzos, mulatos e negros, não tinham campo de atuação nos agrupamentos religiosos existentes.

O catolicismo, religião de predominância, repudiava a comunicação com os mortos, e o espiritismo (kardecismo) estava preocupado apenas em reverenciar e aceitar como nobres as comunicações de espíritos com o rótulo de “doutores”.

O Plano Espiritual se movimenta e molda aquela que seria uma Corrente Astral aberta a todos os espíritos de boa vontade, que quisessem praticar a caridade, independentemente das origens terrenas de suas encarnações, e que pudessem dar um freio ao radicalismo religioso existente no Brasil.

Começa a se plasmar no plano terreno, sob a forma de religião, a Corrente Astral de Umbanda, com sua hierarquia, bases, funções, atributos e finalidades.

Enquanto isto, no plano terreno surge, no ano de 1904, o livro Religiões do Rio, elaborado por “João do Rio”, pseudônimo de Paulo Barreto, membro emérito da Academia Brasileira de Letras.

No livro, o autor faz um relato das religiões e seitas existentes no Rio de Janeiro, àquela época, capital federal e centro sócio-político-cultural do Brasil. O escritor, no intuito de levar ao conhecimento da sociedade os vários segmentos de religiosidade que se desenvolviam no então Distrito Federal, percorreu igrejas, templos, terreiros de bruxaria, macumbas cariocas, sinagogas, entrevistando pessoas e testemunhando fatos.

Não obstante tal obra ter sido pautada em profunda pesquisa, em nenhuma página desta respeitosa edição citou-se o vocábulo Umbanda, pois tal terminologia era desconhecida.

Foi então que em fins de 1908, uma família tradicional de Neves, São Gonçalo-RJ, foi surpreendida por uma ocorrência que tomou aspectos sobrenaturais: o jovem Zélio Fernandino de Moraes, que fora acometido de estranha paralisia, que os médicos não conseguiam debelar, certo dia ergueu-se do leito e declarou: “amanhã estarei curado”.

No dia seguinte, levantou-se normalmente e começou a andar, como se nada lhe houvesse tolhido os movimentos. Contava 17 anos de idade e preparava-se para ingressar na carreira militar na Marinha.

A medicina não soube explicar o que acontecera.

Os tios, sacerdotes católicos, colhidos de surpresa, nada esclareceram. Um amigo da família sugeriu então uma visita à Federação Espírita de Niterói. No dia 15 de novembro, o jovem Zélio foi convidado a participar da sessão espírita nas dependências daquela Federação, que à época era utilizada por alguns Centros Espíritas. José de Souza, que coordenava a sessão, após tomar conhecimento sobre os problemas sérios do jovem, franqueou-lhe um lugar à mesa.

Tomado por uma força estranha e superior a sua vontade, e contrariando as normas que impediam o afastamento de qualquer dos componentes da mesa, Zélio se levantou, dizendo: “aqui está faltando uma flor”, e saiu da sala indo ao jardim, voltando logo após com uma flor, que depositou no centro da mesa.

Esta atitude insólita causou quase que um tumulto. Restabelecidos os trabalhos, manifestaram nos médiuns presentes espíritos que se diziam pretos e índios. Foram convidados a se retirar, advertidos de seu estado de atraso espiritual.

Novamente uma força estranha dominou o jovem Zélio e ele falou, sem saber o que dizia. Ouvia apenas a sua própria voz perguntar o motivo que levava o dirigente dos trabalhos a não aceitar a comunicação daqueles espíritos e do porquê em serem considerados atrasados apenas por encarnações passadas que revelavam. Seguiu-se um diálogo acalorado, e alguns médiuns espíritas procuravam doutrinar e afastar o espírito desconhecido, que desenvolvia uma argumentação segura.

Um médium vidente perguntou: “Por que o irmão fala nestes termos, pretendendo que a direção aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram, quando encarnados, são claramente atrasados? Por que fala deste modo, se estou vendo que me dirijo neste momento a um jesuíta e a sua veste branca reflete uma aura de luz? E qual o seu nome irmão?”

E o espírito desconhecido falou: “Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã (16 de novembro) estarei na casa de meu aparelho para dar início a um Culto em que estes irmãos poderão dar suas mensagens e assim cumprir missão que o Plano Espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E se querem saber meu nome, que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque para mim não haverá caminhos fechados”.

O vidente retrucou: “Julga o irmão que alguém irá assistir a seu Culto?” perguntou com ironia.

E o espírito já identificado disse: “Cada colina de Niterói atuará como porta-voz, anunciando o Culto que amanhã iniciarei”.

No dia seguinte, na casa da família Moraes, na Rua Floriano Peixoto, nº 30, às 20 horas, lá estavam reunidos os membros da Federação Espírita para comprovarem a veracidade do que fora declarado na véspera; presentes também os parentes mais próximos, amigos, vizinhos e, do lado de fora, uma multidão de desconhecidos.

Manifestou-se o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Declarou que naquele momento se iniciava um novo Culto, em que os espíritos de velhos africanos que haviam servido como escravos e que, desencarnados, não encontravam campo de atuação no remanescente das seitas de origem africana, e os índios nativos de nossa terra, poderiam trabalhar em benefício de seus irmãos encarnados, qualquer que fosse a cor, a raça, o credo e a condição social. A prática da caridade, no sentido do amor fraterno, seria a característica principal deste Culto, que teria por base o Evangelho de Jesus.

O Caboclo estabeleceu as normas em que se processaria o culto. Sessões, assim seriam chamados os períodos de trabalho espiritual, diárias, das 20 às 22 horas; os participantes estariam uniformizados de branco e o atendimento seria gratuito.

Deu, também, o nome do Movimento Religioso que se iniciava: UMBANDA – Manifestação do espírito para a caridade.

A Casa de trabalhos espirituais que ora se fundava, recebeu o nome de Nossa Senhora da Piedade, porque assim como Maria acolheu o filho Jesus nos braços, também seriam acolhidos como filhos todos os que necessitassem de ajuda ou conforto. Ditadas as bases do Culto, após responder em latim e alemão às perguntas dos kardecistas presentes alí, o Caboclo das Sete Encruzilhadas passou para a parte prática dos trabalhos, curando enfermos, fazendo andar paralíticos. Antes do término da sessão, manifestou-se um Preto-Velho, Pai Antônio, que vinha completar as curas. No dia seguinte, verdadeira romaria formou-se na Rua Floriano Peixoto. Enfermos, cegos etc. vinham em busca de cura e alí a encontravam, em nome de Jesus. Médiuns, cuja manifestação mediúnica fora considerada loucura, deixaram os sanatórios e deram provas de suas qualidades excepcionais.

A partir daí, o Caboclo das Sete Encruzilhadas começou a trabalhar incessantemente para o esclarecimento, difusão e sedimentação da religião de Umbanda. Além de Pai Antônio, tinha como auxiliar a entidade espiritual Orixá Malé, com grande experiência no desmanche de trabalhos de baixa magia.

Em 1918, o Caboclo das Sete Encruzilhadas recebeu ordens do Astral Superior para fundar sete tendas para a propagação da Umbanda. As agremiações ganharam os seguintes nomes: Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia; Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição; Tenda Espírita Santa Bárbara; Tenda Espírita São Pedro; Tenda Espírita Oxalá; Tenda Espírita São Jorge; e Tenda Espírita São Jerônimo.

Embora não seguindo a carreira militar para a qual se preparava, pois sua missão mediúnica não o permitiu, Zélio Fernandino de Moraes nunca fez da religião sua profissão. Trabalhava para o sustento de sua família e por diversas vezes contribuiu financeiramente para manter os templos que o Caboclo das Sete Encruzilhadas fundou.

Ministros, industriais, e militares que recorriam ao poder mediúnico de Zélio para a cura de parentes enfermos e os vendo recuperados, procuravam retribuir o benefício através de presentes, ou preenchendo cheques vultosos. “Não os aceite. Devolva-os”, ordenava sempre o Caboclo.

A respeito do uso do termo espírita e de nomes de santos católicos nas tendas fundadas, os mesmos tiveram como causas, primeiro, o fato que naquela época não se poder registrar o nome Umbanda, e o segundo, era uma maneira de estabelecer um ponto de referência para fiéis da religião católica que procuravam os préstimos da Umbanda.

O ritual estabelecido pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas era bem simples, com cânticos baixos e harmoniosos, vestimenta branca, proibição de sacrifícios de animais. Dispensou os atabaques e outros instrumentos de percussão, além das palmas. Capacetes, espadas, cocares, vestimentas de cor, rendas e lamês não seriam aceitos. As guias (colares ritualísticos) utilizadas seriam apenas as que determinassem a Entidade que se manifestasse. Os banhos com ervas, os amacis, a concentração nos ambientes vibratórios da natureza, a par do ensinamento doutrinário, na base do Evangelho, constituiriam os principais elementos de preparação do médium.

Após 55 anos de atividades à frente da Tenda Nossa Senhora da Piedade (o primeiro Templo de Umbanda), Zélio entregou a direção dos trabalhos as suas filhas Zélia e Zilméa de Moraes, continuando ao lado de sua esposa Isabel Morse, médium do Caboclo Roxo, a trabalhar na Cabana de Pai Antônio, em Boca do Mato, distrito de Cachoeiras de Macacu – RJ, dedicando a maior parte das horas de seu dia ao atendimento de portadoras de enfermidades psíquicas e de todos os que o procuravam.

Em 1971, a Sra. Lilia Ribeiro, Presidenta da TULEF (Tenda de Umbanda Luz, Esperança, Fraternidade – RJ), gravou uma mensagem do Caboclo das Sete Encruzilhadas, e que bem espelha a humildade e alto grau de evolução desta Entidade Missionária de muita luz. Ei-la:

“A Umbanda tem progredido e vai progredir.

É preciso haver sinceridade, honestidade, e eu previno sempre aos companheiros de muitos anos: a vil moeda vai prejudicar a Umbanda; médiuns que irão se vender e que serão, mais tarde, expulsos, como Jesus expulsou os vendilhões do templo.

O perigo do médium homem é a consulente mulher; do médium mulher é o consulente homem.

É preciso estar sempre de prevenção, porque os próprios obsessores que procuram atacar as nossas Casas fazem com que toque alguma coisa no coração da mulher que fala ao pai de terreiro, como no coração que fala à mãe de terreiro. É preciso haver muita moral para que a Umbanda progrida, seja forte e coesa.

Umbanda é humildade, amor e caridade – esta é a nossa bandeira. Neste momento, meus irmãos, me rodeiam diversos espíritos que trabalham na Umbanda do Brasil: Caboclos de Oxosse, de Ogum, de Xangô. Eu, porém, sou da falange (Linha) de Oxosse, meu Pai, e não vim por acaso, trouxe uma ordem, uma missão.

Meus irmãos: sejam humildes, tenham amor no coração, amor de irmão para irmão, porque vossas mediunidades ficarão mais puras, servindo aos espíritos superiores que venham a baixar entre vós; é preciso que os aparelhos estejam sempre limpos, os instrumentos afinados com as virtudes que Jesus pregou aqui na Terra, para que tenhamos boas comunica,coes e proteção para aqueles que vêm em busca de socorro nas Casas de Umbanda.

Meus irmãos: meu aparelho já está velho, com 80 anos a fazer, mas começou antes dos dezoito. Posso dizer o ajudei a casar, para que não estivesse a dar “cabeçadas”, para que fosse um médium aproveitável e que, pela sua mediunidade, eu pudesse implantar a nossa Umbanda. A maior parte dos que trabalham na Umbanda, se não passou por esta Tenda, passou pelas que safram desta Casa.

Tenho uma coisa a vos pedir: se Jesus veio ao planeta Terra na humildade de uma manjedoura, não foi por acaso. Assim o Pai determinou. Podia ter procurado a casa de um potentado da época, mas foi escolher aquela que havia de ser sua mãe (Maria); este Espírito que viria traçar à Humanidade os passos para obter paz, saúde e felicidade.

Que o nascimento de Jesus, a humildade que Ele baixou à Terra, sirvam de exemplos, iluminando os vossos espíritos, tirando os escuros de maldade por pensamento ou práticas; que Deus perdoe as maldades que possam ter sido pensadas, para que a paz possa reinar em vossos corações e nos vossos lares.

Fechai os olhos para a casa do vizinho; fechai a boca para não murmurar contra quem quer que seja; não julgueis para não serdes julgados; acreditai em Deus e a paz entrará em vosso lar. É dos Evangelhos.

Eu, meus irmãos, como o menor espírito de baixou à Terra, mas amigo de todos, numa concentração perfeita dos companheiros que me rodeiam neste momento, peço que eles sintam a necessidade de cada um de vós e que, ao sairdes deste templo de caridade, encontreis os caminhos abertos, vossos enfermos melhorados e curados, e a saúde para sempre em vossa matéria.

Com votos de paz, saúde e felicidade, e com humildade, amor e caridade, sou e sempre serei o humilde Caboclo das Sete Encruzilhadas”.

Zélio Fernandino de Moraes dedicou 66 anos de sua vida à Umbanda, tendo retornado ao plano espiritual em 03 de outubro de 1975, com a certeza de missão cumprida. Seu trabalho e as diretrizes traçadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas continuam em ação através de suas filhas Zélia de Moraes ( faleceu em 26 de abril de 2000) e Zilméa de Moraes (faleceu em 16 de setembro de 2010, além de milhares umbandistas espalhados pelo Brasil e pelo exterior.

Atualmente a Tenda Nossa Senhora da Piedade funciona na Cabana de Pai Antônio, sob a presidência de Lygia de Moraes, filha de Zilméa de Moraes.

UMBANDA, árvore frondosa que está sempre a dar frutos a quem souber e merecer colhê-los (frase nossa).

MEMÓRIA JUH

MATÉRIAS

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EM DEFESA DE SEUS DIREITOS

Em tempos idos, o Homem, materialista e ligado que exclusivamente aos atos e fatos físicos que o circundavam, tomado de crise existencial, resolveu traçar caminhos que o fizesse resgatar a verdadeira finalidade de sua existência.

Ao lado desta meta sincera de busca do elo de ligação para com o Criador, daí o nome Religião, do latim religare, grupos discrepantes e oportunistas vislumbraram a conveniência de se valerem deste movimento para interesses que a moral e a ética sempre repeliram. A partir deste contexto deu-se uma dicotomia de aspirações, com grupos realmente preocupados com o reatamento em relação à Ordem Espiritual Superior, e outros desejando apenas alcançar interesses escusos e efêmeros ao Ser Humano.

O Brasil, como quase todos os países, não ficou imune a este processo religioso de luta pelo poder. Teve início com a própria colonização, onde as esquadras portuguesas aportavam na Bahia trazendo em suas comitivas representações religiosas (católicas), que tinham a missão precípua de catequizar os nativos da Terra de Santa Cruz e exterminar os cultos indígenas existentes. As religiões ameríndias foram as primeiras a sofrerem tal perseguição, que depois se direcionou também aos cultos africanos trazidos pelos escravos.

Na atualidade, com a crescente globalização da economia e concentração de riquezas nas mãos de poucos, o fenômeno miséria adquiriu proporções jamais vistas. Alguns tendo acesso a tudo, e a grande massa não tendo como suprir suas necessidades básicas. Em meio a esta instabilidade social, surgiram no Brasil alguns segmentos “religiosos” que, ávidos por interesses financeiros e utilizando as mesmas táticas de submissão religiosa, apenas com roupagem nova, não têm poupado esforços no sentido de denegrirem outras religiões. Promovem para isto escárnio e nossos irmãos, incentivam invasões a templos, vilipendiam objetos de culto, tomados de colérico e insano ódio para conosco.

Diante destes fatos, nós, umbandistas, devemos estar cientes que a Constituição Federal de nosso país, conjunto de princípios morais, éticos, econômicos e jurídicos que regem as relações sociais, não se omitiu diante das injustiças impostas àqueles que, por opção, resolveram seguir caminhos diferentes de religiosidade. Assim, no título destinado aosDireitos e Garantias Fundamentais, mais especificamente nos incisos VI e VIII do artigo 5o, a Carta Magna assegura ao indivíduo a inviolabilidade da liberdade de crença, que não seja privado de direitos por abraçar esta ou aquela religião. E mais. Assegura o livre exercício dos cultos religiosos e garante proteção aos locais de culto e suas liturgias. Da mesma forma, os incisos V e X do mesmo artigo conferem ao ofendido o direito de resposta, proporcional ao agravo, além de indenização por Dano Moral, Material ou à Imagem, indenização esta extensiva aos casos de violação da intimidade, da vida privada e da honra das pessoas.

O Código Penal, também fonte de proteção para os umbandistas, tem inserido em seu texto o crime de Ultraje a Culto e Impedimento de Ato Relativo a Ele, consubstanciado em seu artigo 208, que prevê pena de detenção de 1 mês a 1 ano, ou multa, para quem escarnecer de alguém publicamente por motivo de crença ou função religiosa, impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto.

De forma cabal, os trechos acima transcritos afirmam que qualquer tentativa de obstar a prática de Umbanda, dá direito ao ofendido, seja pessoa física ou jurídica, de pleitear ao Poder Judiciário providências penais e extrapenais para que tal empecilho não prospere. Cabe exclusivamente aos umbandistas a tarefa de repelirem investidas ilegais, facciosas, primeiro estudando e difundindo os princípios de fraternidade da Umbanda; segundo, utilizando os meios legais de defesa em caso de injustas agressões.

Devemos estar preparados para as intempéries cotidianas, de modo a anularmos quaisquer tentativas espúrias tendentes a menosprezar nossos passos fraternos de amparo espiritual e material aos necessitados.

Saravá Umbanda!

A UMBANDA E A LEI 9.459/97

Em 13 de maio de 1997 (Dia consagrado aos queridos Pretos-Velhos) a Umbanda e outros segmentos religiosos, vítimas de preconceitos e discriminações levados a termo por setores essencialmente materialistas e ignorantes que se ocultam sob a falsa capa de religião, e que têm como finalidade matriz o enriquecimento ilícito e imoral, ganharam substancial reforço com a decretação pelo Congresso Nacional e sanção pelo Presidente da República da Lei n. 9.459/97.

Reflexo dos contínuos e contundentes ataques de alguns segmentos protestantes a religiões como a Umbanda e o Candomblé, o advento desta norma penal é fruto da preocupação dos congressistas e da sociedade em não ver instalada no Brasil a guerra religiosa, país em que, por sua natureza, há atualmente paz, ou ao menos tolerância, entre as várias religiões atuantes, cada uma de per siprocurando implantar a moral, conduta saudável e outros valores positivos como ponto de partida para o progresso da humanidade. Infelizmente, fatos como o vilipêndio à imagem simbólica de Nossa Senhora Aparecida (qualificativo de Maria, mãe carnal de Jesus) e a divulgação em rádios, televisões e periódicos (jornais, revistas etc.) de reputação duvidosa, de informações distorcidas a respeito de fatos que de religiosos nada têm, ainda continuam a acontecer e devem servir de alerta, principalmente a nós umbandistas. Devemos, diante disto, estarmos vigilantes ante as eventuais agressões a nós, pessoas físicas, e ao Movimento Religioso que abraçamos.

Com o intuito de levarmos a todos o conteúdo dos novos meios legais de defesa de nossa querida Umbanda, segue abaixo a Lei n. 9.459/97, nos tópicos que nos interessam:

O Presidente da República

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Os artigos 1oe 20 da Lei n. 7.716/89 (lei que pune os crimes resultantes de raça e cor) passam a vigora com a seguinte redação:

Artigo 1 o  – Serão punidos na forma da Lei os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, RELIGIÃO, ou procedência nacional

Artigo 20  – Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor,  RELIGIÃO, ou procedência nacional:

Pena: Reclusão de 01 a 03 anos e multa

Parágrafo Primeiro: ...................

Parágrafo Segundo: Se qualquer dos crimes previstos neste artigo é cometido por intermédio de meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza:

Pena: Reclusão de 02 a 05 anos e multa

Parágrafo Terceiro: No caso do parágrafo anterior o juiz poderá determinar, ouvido o Ministério Público (Promotores de Justiça) ou a pedido destes, ainda antes do Inquérito Policial, sob pena de desobediência:

I – O recolhimento imediato ou a Busca e Apreensão dos exemplares do material respectivo;

II – A cessação das respectivas transmissões radiofônicas e televisivas.

O artigo 140 do Código Penal (crime de Injúria) fica acrescido do seguinte parágrafo:

Artigo 140 – Parágrafo Terceiro: Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes à raça, cor, RELIGIÃO, ou procedência nacional:

Pena: Reclusão de 01 a 03 anos e multa.

Fernando Henrique Cardoso – Presidente da República

Queridos irmãos umbandistas, guardem bem esta Lei e a proteção que ela nos concede, para que, quando oportuno, utilizemos contra os inimigos da nossa querida Religião.

Saravá Umbanda!

O FUNDAMENTO DOS CAMPOS VIBRATÓRIOS

Deste do advento da Humanidade no globo terrestre, a natureza tem sido fonte inesgotável de recursos bioenergéticos para criação, evolução e sedimentação dos vários organismos que a compõem. As antigas religiões orientais como o Hinduísmo, Confucionismo, Budismo, Zoroastrismo, além dos cultos ameríndios e africanistas, sempre valorizaram a natureza como essência emanadora de energias para equilibrar a psicofisiologia do ser humano.

É da natureza que se extraem os elementos necessários ao reajustamento das faculdades biopsicomotoras, tão importante à mente, ao espírito e a parte corpórea. É na natureza que há uma maior interação entre o plano material e o astral. Em contado com os rios, florestas, cachoeiras, mares etc., absorvemos as vibrações projetadas pelo Cosmo, que são recepcionadas por estes sítios de captação energomagnética. É na natureza que encontramos o habitat de certas formas espirituais, de evolução diferente dos seres humanos, que na Umbanda nomeamos Elementais ou Seres da Natureza.

Os Elementais são os responsáveis pela manipulação etérea dos materiais existentes nestes sítios vibracionais, condensando partículas energéticas que muitas vezes são utilizadas por Caboclos, Pretos-Velhos, Exus e Crianças, dentre outros, para trabalhos de cura, desobsessão, neutralização de demandas, e assim por diante. Tal importância tem os Elementais na dinâmica telúrico-cósmica que Allan Kardec, no Livro dos Espíritos, no capítulo destinado à categoria e classe dos seres espirituais, cita a existência de seres (os Elementais) responsáveis pela proteção, cultivo e manipulação de elementos atinentes aos diversos campos vibratórios.

Com a anunciação da Umbanda no plano físico em 15 de novembro de 1908 pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, foram fixadas diretrizes para o correto e integral manuseio das energias aglutinadas nestes locais sagrados. Dentre estas diretrizes encontramos o culto, o trato e o usufruto, por parte de médiuns e espíritos, dos fluidos alojados nestes logradouros naturais. O Caboclo das Sete Encruzilhadas sempre orientava quanto à importância dos trabalhos efetuados nos rincões da natureza, no tocante principalmente a limpeza, reajustamento e fortalecimento dos centros de força (chakras), desintoxicação perispiritual, e assepsia da aura.

Alguns pensam que as florestas, rios, mares, pedreiras, cachoeiras etc., são lugares somente destinados à louvação a Deus e ao mundo espiritual, o que é um engano. Em realidade, quando nos direcionamos a estes lugares, somos nós, médiuns, que recebemos as graças e os cuidados que todo aquele que serve de medianeiro à ação dos espíritos bons necessita ter. Durante uma gira ou sessão nos campos vibratórios, somos ofertados por nossos guias e protetores com uma contínua carga de fluidos positivos, cujos elementos constitutivos são retirados das flores, folhas, raízes, água doce, água salgada, frutos etc. Neste aspecto, o trabalho de nossos amigos espirituais é facilitado, pois estando seus aparelhos em contado direto com a natureza, e por isto sujeitos à influência das energias dali emanadas, a missão de impregnação fluídica positiva torna-se mais eficaz, o que seria difícil acontecer longe desses campos.

Devido ao acúmulo de cargas eletromagnéticas densamente negativas sobre as cidades, produto do atual estágio consciencional e comportamental das pessoas, os fluidos dos sítios vibratórios sofrem uma diluição considerável quando direcionados a lugares que não aqueles onde estão concentrados, fazendo com que a espiritualidade atuante nos terreiros tenha trabalho redobrado para manter a integralidade das energias utilizadas dentro dos núcleos umbandistas.

Assim, a natureza constitui-se em fonte de equilíbrio, reequilíbrio, harmonização, desintoxicação, assepsia, imantação, dentro dos trabalhos de Umbanda.

Saravá Umbanda!

OS PONTOS CANTADOS

E SUA SIGNIFICAÇÃO

Um dos fundamentos de vital importância para a eficácia dos trabalhos dentro de um Templo Umbandista é, sem dúvida, o que diz respeito aos Pontos Cantados ou Cânticos Mágico-Religiosos.

Em tempos imemoriais, o Homem, materialista e ligado quase que exclusivamente aos aspectos físicos que o circundavam, tomado de profundo vazio consciencional, resolver traçar caminhos que o fizesse resgatar a verdadeira finalidade de sua existência. Alicerçado em princípios aceitáveis, passou a buscar elos com o Criador, a fim de se redimir do tempo perdido e desvirtuado para outras ações, bem como se conhecer como ser vivente e criado pela Inteligência Suprema. Uma das formas encontradas para a reaproximação com o Divino foi a música, onde se exprimiam o respeito e o amor a Deus. Desta forma, os cânticos tornaram-se um atributo sócio-religioso, comum a todas as religiões, onde cada uma delas, com suas características próprias, exteriorizavam sua adoração, devoção e servidão aos desígnios do Plano Astral Superior.

A Umbanda, nossa querida religião anunciada no plano físico em 15 de novembro de 1908, no então distrito de Neves, Niterói – RJ (Neves atualmente é um bairro da cidade de São Gonçalo), pelo espírito que se nominou Caboclo das Sete Encruzilhadas e cujo medianeiro foi o saudoso Zélio Fernandino de Moraes, também recepcionou este processo místico, mítico e religioso da expressão humana. Nos vários terreiros espalhados pela Terra de Pindorama, observamos com fé, respeito e alegria os vários Pontos Cantados sendo utilizados em labores mediúnico-espirituais de cunho religioso ou magístico.

Em realidade os Pontos Cantados são verdadeiros mantrans, preces, rogativas, que dinamizam forças da natureza e nos fazem entrar em contato íntimo com as Potências Espirituais que nos regem. Existe toda uma magia e ciência por trás das cantigas, que, se entoadas com conhecimento, fé e racionalidade, provocam, através das ondas sonoras, a atração, coesão, harmonização e dinamização de forças astrais que volitam sobre nossas vidas.

Temos visto em algumas ocasiões determinadas pessoas, até com boas intenções, mas sem conhecimento, “puxarem” Pontos em horas inapropriadas e sem nenhuma afinidade com o trabalho ora realizado. Tal fato pode causar embaraços à eficácia do que está sendo feito, uma vez que pode atrair forças não afetas àquele labor, ou ainda atrair energias contrárias ao trabalho mediúnico-espiritual.

Quanto à origem, os Pontos Cantados dividem-se em Pontos de Raiz (enviados pela Espiritualidade), e Pontos terrenos (elaborados por pessoas diretamente). Os Pontos de Raiz ou Espirituais não devem ser modificados, pois revelam termos conectados entre si, justapostos, ou seja, com palavras colocadas em correlação exata, que fazem abrir determinados canais de interação físico-astral, direcionando forças para os mais diversos fins (sempre positivos). No que concerne aos Pontos Cantados terrenos, a Espiritualidade os aceita, desde que pautados na razão, bom senso, fundamentação e fé de quem os compõem.

Às vezes nos deparamos com algumas cantigas terrenas que nos causam verdadeiro espanto, quando não, tristeza. São composições “sem pé, nem cabeça”, sem fundamento, com frases ingênuas, de mau gosto, e sem nenhum nexo, chegando algumas a denegrirem os reais valores umbandistas. Cantam que exu tem duas cabeças; que pombagira é prostituta e mulher de sete maridos; que Preto-Velho é feiticeiro, e outras incoerências. E quanto ao plágio (cópia adulterada) leitores? Aí é que a questão se agrava. É que alguns “espertos” andam a visitar terreiros, ouvindo e decorando pontos pertencentes àqueles templos. Voltam à tenda onde trabalham ou são dirigentes e começam a cantar as cantigas aprendidas, com algumas modificações, para disfarçar, é claro, e dizem a terceiros que as cantigas são de sua autoria ou de suas entidades. Além de modificarem pontos que podem ser de raiz, estão sujeitos a serem desmascarados quando alguém toma conhecimento da origem e da real letra das melodias.

Quanto à finalidade, os Pontos Cantados podem ser: Pontos de Defumação; Pontos de Incorporação e Desincorporação; Pontos de Vibração; Pontos de Descarrego; Pontos de Fluidificação; Pontos de Neutralização de Demandas; Pontos de Firmeza; Pontos de Doutrinação; Pontos de Segurança ou Proteção; Pontos de Cruzamento de Linhas; Pontos de Cruzamento de Falanges; Pontos de Cruzamento de Terreiro; Pontos de Consagração do Congá; e outros mais, consoante a finalidade a que se destinam.

Vimos pelo acima exposto que os Pontos Cantados ou Cânticos Mágisticos-Religiosos, por serem de grande importância e fundamento, devem ser alvos de todo o cuidado, respeito e atenção por parte daqueles que os utilizam, sendo ferramenta poderosa de auxílio aos trabalhos em nossa religião.

Saravá Umbanda!

A CONDUTA NOS TEMPLOS UMBANDISTAS

O sucesso dos trabalhos efetuados em uma sessão mediúnico-espiritual depende, em grande parte, da concentração e da postura de médiuns e assistentes presentes. Os Templos Umbandistas são locais sagrados, especialmente preparados para atividades espirituais, e que têm sobre seus espaços uma cúpula espiritual responsável pelas diretrizes básicas de amparo, orientação e segurança daqueles que, ou buscam ali a solução ou abrandamento de seus males, ou dos que emprestam sua estrutura física para servirem de veículos à prática da caridade. Apesar disto, alguns participantes julgam que, por tratar-se de culto de invocação, não se deve dar a devida atenção e respeito, sendo tais virtudes ausentes nestes indivíduos. Respeito, palavra que muitos bradam quando são contrariados, mas que cai no esquecimento daqueles que muito ofendem.

Temos visto que alguns dirigentes de terreiros deixam muito a desejar no que se refere ao assunto em pauta. Permitem que pessoas de má índole façam parte ou continuem em seu quadro mediúnico; permitem aconchegos e conchavos; são muito tolerantes ao permitirem ingressar no salão de trabalhos pessoas com trajes incompatíveis com o que se realiza ou pretenda realizar. Permitem conversas paralelas, algazarras, exibicionismos, bajulações etc., esquecendo-se que tais licenciosidades desarmonizam o ambiente e atraem energias deletérias, galhofeiros espirituais, quando não hordas de entidades espirituais sedentas por ofuscar ou apagar um ponto de luz, comprometendo assim os trabalhos assistenciais. Devemos lembrar que a concentração, silêncio e teor positivo de pensamentos são essenciais ao exercício da fé.

Observamos também que alguns médiuns e assistentes dirigem-se desrespeitosamente aos espíritos trabalhadores. Debocham de suas características e duvidam de sua eficiência. Entretanto, quando passam por uma série de sofrimentos físicos e espirituais, tendo recorrido inclusive a médicos, sem êxito, recorrem àqueles mesmos espíritos que outrora foram alvos de seus deslizes. Restabelecidos, atribuem sua melhora ao acaso. Que Deus na sua infinita misericórdia abra estes corações brutos à preciosidade dos trabalhos de Umbanda.

Devem médiuns e assistentes observar o silêncio e o pensamento em situações ou coisas que representem o Bem. Este procedimento tem como conseqüência a irmanação energética com os espíritos, decorrendo daí o derramamento sobre o terreiro do elixir etéreo da paz e da fraternidade. O que se consegue do Mundo Astral é, antes de tudo, fruto da bondade e do merecimento de cada um.

A conduta reta e positiva deve ser a tônica em uma agremiação umbandista, para que os guias e protetores possam instalar no mental e no coração de cada participante semente de bondade, amor e proteção. A homogeneidade de pensamentos é instrumento de poder do ser humano rumo a concretização de seus desejos, sendo fundamental que se apresentem límpidos e sinceros em um Templo Umbandista. Aos espíritos ninguém consegue enganar.

Saravá Umbanda!

A DEFUMAÇÃO:

SEUS EFEITOS ASTRAIS E FÍSICOS

“Defuma com as ervas da Jurema

Defuma com arruda e guiné

Com benjoim, alecrim e alfazema

Vamos defumar filhos de fé”

Deus, perfeito em sua criação, dotou o Homem de vários sentidos, para que seu espírito tivesse assim portas de comunicação com o mundo físico, ajudando-o a viver, integrar-se e evoluir nesta escola chamada Terra. Dentre estes sentidos está o olfato, que ao captar os aromas nos despertam lembranças e associações, aflorando nossas emoções e fazendo-nos rir ou chorar de saudades. Quem já não voltou ao passado, sentindo fragrâncias que fizessem lembrar a infância distante? Ou, para nós umbandistas, que ao sentirmos o aroma provindo do charuto ou cachimbo, não lembramos imediatamente de nossos queridos Caboclos e Pretos Velhos?

Assim, através dos aromas podemos ficar relaxados, agitados, próximos ou afastados de pessoas, coisas ou lugares. Por este motivo, os templos do antigo Egito, dos Hindus, Persas, e hoje os Templos Umbandistas, católicos, esotéricos etc., sensibilizam o olfato através dos odores da defumação, harmonizando e aumentando o teor das vibrações psíquicas, produzindo condições de recepção e inspiração nos planos físico e espiritual.

Além de influenciar nossa psique, as ervas utilizadas na defumação são poderosos agentes de limpeza, que tornam o ambiente mais agradável e leve. Ao queimarmos as ervas e resinas, liberamos em alguns minutos de defumação todo o poder energético aglutinado em meses ou anos no solo da Terra, absorção de magnetismo solar e lunar, do ar, além dos próprios elementos constitutivos das ervas. Deste modo, projeta-se uma força capaz de desagregar miasmas que dominam a maioria dos ambientes humanos, produto da baixa qualidade de pensamentos e desejos, como raiva, vingança, inveja, orgulho, mágoa, sensualidade etc.

Existem para cada objetivo que se tem ao fazer-se uma defumação diferentes tipos de ervas e resinas que, associadas, permitem energizar e harmonizar pessoas e ambientes, pois ao queima-las seus elementos etéreos produzem reações agradáveis ou desagradáveis no mundo invisível. Há vegetais cujos componentes são agressivos, repulsivos, picantes ou corrosivos, que põem em fuga alguns desencarnados de vibração inferior. Os antigos Magos, graças aos seus conhecimentos incomuns, sabiam combinar certas ervas de emanações tão poderosas, que traçavam barreiras intransponíveis aos espíritos intrusos ou que tencionavam turbar-lhes o trabalho de magia.

Apesar das ervas servirem como barreiras fluídico-magnéticas contra espíritos inferiores, seu poder é temporário, pois os irmãos do plano astral de baixa vibração são atraídos novamente por nossos pensamentos e atos turvos, e que nos deixam na mesma faixa vibratória inferior (Lei de Afinidades). Portanto, vigilância quanto ao nível dos pensamentos e atos.

A defumação deve ser feita em turíbulos de barro (elemento natural e neutro), que mantêm as qualidades e os efeitos dos elementos constitutivos dos ingredientes a serem queimados. Efetuar defumação em recipientes de alumínio, ferro ou similares é um equívoco, pois que estes metais ao entrarem em contato com o carvão em brasa liberam toxinas que irão neutralizar total ou parcialmente a eficácia das ervas e resinas. Convém lembrar que ao se manipular o defumador deve-se estar concentrado, a fim de se potencializar seus efeitos, impedindo que este ato litúrgico-magístico de limpeza ou de atração de energias positivas se transforme apenas em movimento mecânico de agitação do turíbulo.

Salve a Defumação!

TODO UMBANDISTA É ESPIRITUALIZADO?

Desde tempos remotos, onde as religiões ou seitas ainda estavam em formação, o Homem, indivíduo pensante, sempre esteve envolto em interesses espirituais e materiais. Os primeiros consubstanciavam-se em preocupação com o próximo, no sentido de mostrar-lhes o caminho a seguir em sua jornada de espírito encarnado, fixando em seu mental a importância dos ensinos Divinos junto a seus pares, e de que o amor, a caridade, a compreensão e tantos outros sentimentos positivos deveriam ser a base para o progresso espiritual dos habitantes deste planeta.

De outro lado existiam aqueles que encaravam este processo apenas como instrumento para alcançar interesses materiais, vale dizer, subjugação, enriquecimento ilícito, egocentrismo e outros aspectos negativos que os fizessem perpétuos em suas ambições.

Na atualidade ainda podemos detectar muitos focos destoantes em nossa religião. Freqüentemente chegam ao nosso conhecimento histórias escabrosas sobre indivíduos que atuam em nosso segmento religioso. Apresentando-se como “senhores” dos mistérios de nossa Umbanda, não poupam esforços no sentido de perpetuarem-se em seus “tronos majestosos”. Não dão oportunidade a que outros irmãos mostrem seu valor e ajudem no aperfeiçoamento moral e espiritual dos umbandistas.

Cercam-se de pessoas de índole duvidosa para impedirem outras pessoas, estas dignas e honestas, a galgarem lugar de merecimento no terreiro. Tomados de inveja, raiva, e insegurança, esta última em razão de seu pouco ou nenhum conhecimento das práticas Umbandistas, tratam de segregar e discriminar irmãos estudiosos, de conduta ilibada, com informações que os fazem ser apontados como futuros dirigentes de agremiações de Umbanda.

Quase todos nós já presenciamos ou ouvimos falar de pessoas que dizem aos quatro cantos que têm 40, 50, 60 anos de Umbanda. Isto para os mais esclarecidos não significa nada se não acompanhado de humildade, honestidade, sinceridade, e fraternidade para com o próximo.

Muitos se dizem Umbandistas só porque vestem o branco, frequentam um Templo e se dizem instrumentos de espíritos de “alta evolução”, ou porque conhecem os rituais e preceitos da religião. Estes argumentos não resistem a uma avaliação pessoal e detida do perfil ético e da moral de quem os proclama, e aí entra o fator Espiritualidade, onde deverá ser observada a coerência do que se fala com o que se pratica no cotidiano; se há no coração destes a intenção de ajudar o próximo, de difundir as diretrizes da Espiritualidade, de querer ver a religião progredir, de prestigiar aqueles que, através de conhecimento mais vasto, poderão dar continuidade a um terreiro, de perdoar, de se confraternizar, de enaltecer as qualidades de outrem, ponto para a Umbanda.

Ser espiritualizado é revelar as virtudes e relevar os defeitos alheios, e tentar melhorar-se moralmente, eticamente, intelectualmente. Pobres irmãos, que tendo passado uma vida inteira no âmbito da Umbanda não aprenderam nada sobre a espiritualidade. Deverão, por certo, ter que encarnarem muitas vezes, até que compreendam que vincular-se e ter um cargo em um Templo de Umbanda é uma coisa, progredir espiritualmente rumo ao Plano Astral Superior é outra.

Saravá Umbanda!

O USO DO TABACO NOS

TERREIROS

O fumo é a erva mais tradicional da terapêutica psico-espiritual praticada em nossa religião. Originário do mundo novo, os nativos fumavam o tabaco picado e enrolado em suas próprias folhas, ou nas de outras plantas, conhecendo o processo de curar e fermentar o fumo, melhorando seu gosto e aroma.

Durante o período em que germina e se desenvolve, o fumo arregimenta as mais variadas energias e magnetismos minerais, vegetais e animais, tanto do solo como do meio ambiente, tais como calor, magnetismo, raios infravermelhos e ultravioletas do sol, éter, sais minerais, oxigênio, hidrogênio, luz, aroma, fluídos etéreos, cor, vitaminas, nitrogênio, fósforo, potássio, húmus da terra etc. Assim condensa em si forte carga energomagnética que ao ser liberada pela sua queima emana energias que atuam positivamente no mundo oculto, podendo desintegrar fluidos adversos à contextura do corpo astral dos encarnados e desencarnados. O charuto e o cachimbo, ou ainda o cigarro de palha, utilizados pelas entidades da Corrente Astral de Umbanda são tão somente defumadores individuais. Lançando a fumaça sobre a aura, os plexos, ou feridas, vão os espíritos aplicando sua magia em benefício daqueles que os procuram com fé.

Os solos com textura mais fina, com elevado teor de argila, produzem fumos mais fortes, como os destinados a charutos e fumos de corda, enquanto os solos mais arenosos produzem fumos leves. No fabrico dos charutos (palavra derivada do tâmil churutu), as folhas, após o processo de secagem, são reunidas em manocas de 15 a 20 folhas e submetidas à fermentação, destinada a diminuir a percentagem de nicotina, aumentar a combustividade e uniformizar a sua coloração. OS tipos de fumo mais utilizados na confecção dos charutos brasileiros são: Brasil-Bahia, Virgínia, Sumatra e Havana.

Nos trabalhos umbandistas a cigarrilha é muito utilizada por pombagiras. Por ser de aroma especial, se ajusta ao descarrego do paciente, proporcionando-lhe mais tranquilidade. Os charutos de fumo grosseiro e forte são peculiares à magia dos Exus, enquanto os charutos de fumo de melhor qualidade são usados por Caboclos. Já os Pretos-Velhos dão preferência aos cachimbos, nos quais utilizam, com tabaco, diversos tipos de mistura de ervas, como o alecrim, a alfazema e outros, além de utilizarem cigarros de palha, impregnando os elementos constitutivos com sua própria energia espiritual, transformando o tradicional “pito” em um eficiente desagregador de miasmas e larvas astrais.

Desta maneira, como o defumador coletivo, o fumo utilizado em charutos, cachimbos e cigarros de palha são instrumentos fundamentais na ação mágica dos trabalhos das Entidades Espirituais de Umbanda. A queima do tabaco funciona como um defumador individual, dirigido ao objetivo da entidade espiritual, e não traz nenhum vício tabagista, como dizem alguns, representando apenas um meio de descarrego, de limpeza.

Observamos assim que, como ensinou um Pai Velho, “na fumaça está um dos segredos dos trabalhos de Umbanda”.

Saravá Umbanda!

EXU NÃO É O DIABO

Lamentável. Profundamente lamentável.

Esta é uma das expressões que mais passa pela mente de estudiosos umbandistas, médiuns ou não, que, ao percorrerem uma gama considerável de terreiros, verificam o quão distorcido é o conceito sobre as entidades espirituais que se apresentam nos templos de umbanda sob os nomes exu (masculino) e pombagira (feminino). Mal compreendidos, ainda sim continuam a contribuir eficazmente para os trabalhos de Umbanda.

O termo exu foi aportuguesado do nome Èsú, de origem iorubá, fato! E é considerado o Orixá mensageiro entre as demais divindades do panteão iorubano. A etimologia não é unânime, mas alguns afirmam que significa esfera. Outros, a esmagadora maioria, o definem como o Senhor da Seta, sendo, por esta razão, chamado de O Seteiro, o que carrega a lança pelos caminhos e encruzilhadas; a seta com a lâmina afiada, que corta qualquer coisa que se ponha à frente de sua missão. O movimento – outro aspecto da lança/seta – é um de seus atributos.

Já o termo pombagira é uma corruptela de uma divindade do panteão bantu (congo-angola), nominada de Pambu Njila (Pambu = encruzilhada, fronteira – Njila (caminho, estrada), no dialeto quimbundo. Intitulado o Senhor dos Caminhos e Encruzilhadas, é um Nkise de aspecto masculino, com muitos atributos semelhantes ao Exu dos iorubás.

Convém lembrar que discorremos sobre divindade iorubá (Èsú) e divindade bantu (Pambu Njila), não sobre as entidades espirituais de certo arquétipo que são identificadas por estes nomes, ainda que deturpados, na Umbanda.

Em outra oportunidade colocaremos as razões que levaram estes termos a serem inseridos na Umbanda, desde já afirmando que não foram razões espirituais, mas tão somente de ordem intersocial. Por hora, restringiremos nossa dissertação sobre o termo Exu, visto que o panteão iorubá, por razões históricas, foi o que ganhou mais transparência no Brasil.

Na África, em cultos nativos, o Exu, então orixá mensageiro, era ligado ao elemento fogo, o que, para as doutrinas judaica e cristã, era e é a ferramenta do diabo para fazer arder almas pecadoras no inferno, sendo assemelhado por isto a lúcifer, ao diabo. Suas representações eram em forma de falos, expressando a energia, a reprodução, o nascer de novo, a continuidade, dinamismo etc. Viajantes que por aquele continente passavam, deparando-se com tal quadro, conceituaram Exu como sendo uma divindade da perdição sexual, da orgia, da luxúria etc.

Esta imagem pejorativa dada a Exu-Orixá pelos europeus foi erroneamente absorvida e difundida por muitos umbandistas, sobretudo aqueles que tiveram contato e/ou informações equivocadas dos cultos africanistas, o que fez com que uma gama de espíritos que se integraram à Corrente Astral de Umbanda para desempenharem funções mais terra-terra, fosse equiparada a emissários do mal, sendo até hoje simbolizados por figuras grotescas, com chifres, rabos, pés de bode, tridentes, sendo tal iconografia criada e alimentada pelo cristianismo.

Apesar dos esforços direcionados a um maior estudo e compreensão no meio umbandista, os exus e pombagiras (espíritos) são tidos pelos que não conhecem suas origens e atribuições, como a personificação individualizada do mal, o diabo incorporado. Tal imagem é fruto de más interpretações dadas por pessoas que, não tendo a devida cautela em avaliar fatos, atos, objetos de culto, e rituais, passaram a conferir a eles o título de mensageiros das trevas.

Na Umbanda estes espíritos, que em razão do psiquismo são conhecidos como pombagiras (aspecto feminino e corruptela do Nkise Pambu Njila), e como exus (aportuguesamento do nome do Orixá Èsú, de aspecto masculino), se constituem em legiões de abnegados combatentes de nossa religião. São hierarquicamente organizados e realizam tarefas pertinentes a sua faixa vibratória. São os elementos de execução e auxiliares de guias e protetores, tendo, entre outras tarefas, as de serem as sentinelas das Casas de Umbanda, de policiarem o baixo astral e anularem trabalhos de magia para fins negativos. Ao contrário do que pensam alguns, têm exata noção de Bem e Mal. São justos, ajudando a cada um segundo ordens superiores e merecimento daquele que pede auxílio. São os Exus que freiam as ações malévolas dos obsessores que atormentam os humanos no dia-a-dia. São os vigilantes ostensivos, a tropa de choque que está em alerta contra os kiumbas, contendo as ações maléficas destes últimos.

Em algumas ocasiões “baixam” em Templos de Umbanda, ou mesmo em templos de outras religiões, espíritos que tumultuam o ambiente, promovendo espetáculos circenses, galhofas e se comportando de maneira deselegante para com os presentes, xingando, proferindo palavras de baixo calão, ameaçando, e daí por diante. Comportamento como estes não devem ser imputados aos exus e pombagiras (espíritos) e sim aos turbadores astrais (masculinos e femininos), espíritos moralmente atrofiados e que ainda não compreenderam ou aceitaram a imutável Lei de Evolução, apegados que estão aos vícios, desejos e sentimentos humanos. Os kiumbas, para penetrarem nos terreiros, fingem ser (mistificam) Caboclos, Pretos Velhos, Exus e Crianças, cabendo ao Guia-Chefe da Casa estar sempre vigilante ante à determinadas condutas.

Outro aspecto importante que merece ser trazido à tona é o diz respeito a alguns “médiuns” infiltrados no Movimento Umbandista. Despidos das qualidades nobres que o ser humano necessita possuir para seu progresso espiritual, contaminam e desarmonizam os locais de trabalhos mediúnico-espirituais. Tentam impressionar os menos esclarecidos com gracejos, malabarismos, convites imorais, encharcados de aguardente. “Desincorporados”, atribuem aos exus e pombagiras tais comportamentos. Fatos como estes são afetos às pessoas sem escrúpulos, moral, ética, pessoas perniciosas. Sem caráter, aproveitam a imagem distorcida dada a estes espíritos para exteriorizarem o seu verdadeiro “eu”. Estes “médiuns”, não raras vezes, acabam caindo no ridículo, ficam desacreditados, dando margem, segundo a Lei de Afinidades, a ataques de obsessores.

Os exus e pombagiras são espíritos que, como nós, busca a evolução, a elevação, empenhando-se o mais que podem para aplicarem as diretrizes traçadas pela Espiritualidade Superior. É bem verdade que em seu estágio inicial uma grande parte deles ainda têm um comportamento instável, cabendo aos verdadeiros umbandistas o dever de não deixarem que se desvirtuem de seu avanço espiritual. Porém, nada que justifique serem rotulados de criaturas fantasmagóricas, horrendas e repugnantes. São qualificativos negativos que devem ser aplicados àqueles que difundem conscientemente esta visão distorcida de exu. Este equívoco conceitual acaba por afastar ou, ao menos, criar prevenções para os iniciantes do culto, que ficam temerosos quando um exu ou pombagira se manifesta. Aqueles que desvirtuam conscientemente a imagem dos espíritos que se utilizam de tais roupagens são kiumbas encarnados, que prestam um desserviço à religião, promovendo o terror, a dúvida, o conflito, a confusão. Diminuem os Exus à condição de espíritos interesseiros, astutos e cruéis; que são maus para uns e bons para outros, dependendo dos agrados ou presentes que recebam; de moral duvidosa, fumando os melhores charutos e bebendo os melhores uísques.

A que ponto pode chegar a ignorância humana em visualizar estes espíritos como meros negociantes ilícitos, fazendo dos terreiros balcão de negócios, em total dissonância com o bom senso e a Lei Suprema.

Exu não é marionete. Exu não é o diabo. Exu e pombagira são símbolos de dinamismo, de aperfeiçoamento espiritual constante.

Salve os compadres, salve as comadres!

Saravá Umbanda!

DE JOELHOS SIM!

Dentro das várias ritualísticas que se desenvolvem nos terreiros de Umbanda é comum vermos principalmente no início e término dos trabalhos mediúnico-espirituais o corpo mediúnico com os joelhos no chão. Alguns vêem esta postura como arcaica e sem sentido, porém nunca se deram ao trabalho de analisarem detidamente tal procedimento.

É de conhecimento geral que as primeiras religiões do globo terrestre já inseriam em seus rituais O Ajoelhar, exteriorização de respeito ao Criador e também manifestação de humildade que todos devem ser, seja para com o Divino, seja para com o próximo. Da mesma forma, o ato de postar-se de joelhos fazia e faz ver aos fiéis que assistiam e assistem a uma manifestação de religiosidade, a seriedade, o respeito e a simplicidade do sacerdote, frente ao Plano Espiritual.

A implantação do Ajoelhar-se tem como finalidade mostrar a Deus todo o nosso carinho, obediência, respeito e amor, e o quanto somos pequeninos diante do universo criado por Ele; e para passar a assistência que aquele espaço de caridade tem a exata noção do papel que desempenha como instrumento de trabalho dos bons espíritos. Infelizmente, é do conhecimento de todos que, ao lado de criaturas humildes, simples, meigas e caridosas, dispostas sempre a dar seu suor à Umbanda, existem outras tantas, orgulhosas, vaidosas, “autossuficientes”, que procuram a todo o custo imporem-se aos demais, maximizando suas “qualidades” e minimizando as virtudes alheias. Ostentam falsas conquistas, querendo submeter todos a seus caprichos. Contudo, nada mais doloroso e incômodo para estas pessoas do que ficar em posição de subserviência, de aparente inferioridade. Tal postura lhes sangra a alma e lhes oprime o pétreo coração. Suas visões ofuscadas não conseguem enxergar que tal rito é para seu próprio bem, para sua própria libertação dos sentimentos mesquinhos e posterior elevação espiritual, pois auxilia na quebra da vaidade e da soberba.

Alguns até podem dizer que ao postar-se de joelhos o médium pode ter em mente pensamentos diametralmente opostos àquela posição. Mas aí meus irmãos é que termina a tarefa dos encarnados e inicia-se o processo de assepsia e lapidação dos arrogantes e vaidosos, levados a efeito pelos amigos de Aruanda, dando luz a estas pessoas e reconduzindo-as ao rebanho Divino.

Joelhos ao chão sim!

Saravá Umbanda!

“NÃO LEMBRO DE NADA”

O assunto, objeto desta matéria, com certeza trará dissabor e repulsa para alguns, pois tocará na vaidade, no ego e nas más intenções daqueles que não querem que venham à baila determinadas informações pertinentes ao fenômeno da incorporação. No entanto, nosso compromisso é ver os adeptos da religião mais esclarecidos e livres de determinados mitos que tanto prejudicam os iniciantes no culto, restando-nos elucidar um ponto nevrálgico dentro de nosso meio religioso.

Sabemos que na Umbanda é corrente falar-se em mediunidade de incorporação de efeitos semiconsciente e inconsciente (efeitos em relação ao estado mental do médium durante o transe), que acarreta discussões doutrinárias, nas quais certos pontos de vista expostos fogem completamente à lógica e ao bom senso. Não vamos nos ater a explicar o processo de acoplamento do corpo astral das entidades espirituais no corpo astral dos médiuns, sendo tema para o futuro.

As incorporações em que os espíritos deixam o médium completamente inconsciente, com tomada integral de todas as faculdades biopsicomotoras, é fenômeno raríssimo nas religiões de cunho mediúnico. No passado, foi a forma encontrada pelos amigos extrafísicos para cumprirem suas missões no plano físico sem que o medianeiro pudesse interferir em suas tarefas, pois muitas pessoas não acreditavam na ação dos espíritos sobre a matéria, ou acreditando, não queriam concretizar compromissos assumidos no plano astral para sua própria evolução, e por isto, acaso tivessem alguma porcentagem de consciência, acabariam por interferir, voluntária ou involuntariamente, no labor dos amigos espirituais. Com o passar do tempo e através de um maior estudo e consequente entendimento sobre a mediunidade e a mecânica de incorporação, a inconsciência pouco a pouco deu lugar à semiconsciência, evento através do qual os espíritos agem conjuntamente com a psique do médium que, mesmo em estado alterado de consciência (transe), sabe de quase tudo o que se passa a seu redor, inclusive que está sob o domínio parcial de uma força inteligente externa. Este tipo de incorporação (semiconsciente) predomina quase que inteiramente nos segmentos religiosos mediúnicos porque é a que melhor se adequa às necessidades atuais. Através da semiconsciência há uma interação entre o sacerdote-médium e o espírito atuante, que não raras vezes são doutrinador e doutrinado ao mesmo tempo. Além disto, esta espécie de incorporação faz com que o “aparelho” seja corresponsável pela mensagem transmitida por um Caboclo, Preto-Velho, Exu, ou Criança.

O fato é que na mediunidade de incorporação semiconsciente, que, ressalte-se, também tem seus graus de variação, o espírito ao desprender-se do receptor (médium) com o qual trabalha, deixa neste quase que a totalidade das informações recebidas ou transmitidas durante uma gira ou sessão. Caso haja alguma necessidade, o espírito, atuando na mente, pode fazer com que o médium deixe de lembrar alguma coisa, mas isto é exceção. A regra é o médium lembrar-se de quase tudo o que foi dito pelo espírito trabalhador. Neste sentido, muito importante é o respeito e a obediência que os medianeiros devem ter para com o segredo de sacerdócio.

Infelizmente alguns médiuns que trabalham em transe semiconsciente insistem em dizer que não se lembram de nadadepois que o espírito interventor se afasta. E o fazem por duas razões básicas: primeiro, querem dar um maior valor a sua mediunidade, dizendo: “eu sou especial porque trabalho sem consciência”; segundo, para se eximirem de responsabilidade caso haja alguma comunicação equivocada, por influência do próprio médium, dizendo estes depois: “eu sou inconsciente, quem errou foi o espírito”.

Repetimos: a mediunidade de incorporação inconsciente ainda existe, mas é raríssima, e quem a tem geralmente não fala, porque é assunto pessoal, e também porque é circunstância difícil de ser provada.

Na atualidade, não se concebe deixar os iniciantes com a falsa idéia de que, incorporados por um espírito, sua mente se apagará temporariamente. Muitos médiuns sob a ação de acoplamento acham que não estão incorporados, visto terem ouvido de outros que durante tal fenômeno não há consciência nos médiuns. Criam com isto uma série de dúvidas na mente dos iniciantes, fazendo com que muitos pensem até não serem médiuns de incorporação.

A Umbanda vai crescer. E crescerá através de médiuns mais preparados, mais esclarecidos em relação aos processos mediúnicos. Desta forma, farão cair por terra falsas verdades que estão sendo difundidas por alguns.

Saravá Umbanda!

OS RITUAIS DE PRAIA

Principalmente durante as comemorações de fim de ano, levadas a efeito no mês de dezembro, é comum observarmos nas diversas praias de nossa orla marítima grande quantidade de terreiros interagindo e louvando a espiritualidade e o elemento Água, pedindo a esta grande Força que possa lavar e regenerar o coração e o mental daqueles que andam a espalhar a maldade, o desamor e o egocentrismo.

Contudo, para que uma sessão ou gira na praia seja segura, equilibrada e sem percalços, o ritual necessariamente deve ter um preparo todo especial, tanto em relação aos médiuns quanto ao espaço físico onde se realizará o vento. O ideal seria que os rituais marítimos fossem realizados em praias desertas, de difícil acesso à população, pois se constituiriam em lugares onde o campo vibratório estaria mais equilibrado, mais íntegro. Como do ideal ao real vai uma grande diferença, o jeito é fazer a cerimônia em lugares já freqüentados, E é aí que os terreiros devem redobrar os cuidados para com o equilíbrio psico-espiritual. E por quê? Porque devido ao “avanço” de certas práticas da coletividade, o campo vibratório em questão tem sido alvo de contaminações das mais diferentes espécies. É nas praias que muitas pessoas fazem suas necessidades fisiológicas, se drogam, fazem sexo, vazam detritos, falam palavras de baixo calão, inundando a areia com vibrações densamente negativas.

Diante de tais circunstâncias, o certo é o que alguns poucos terreiros ainda fazem: delimitam um espaço na areia onde será realizada a gira e com uma antecedência de 24 horas começam a limpa-lo e prepara-lo para o dia seguinte. São feitas seguranças, montagem do congá, limpeza física, delimitação física, não podendo, depois disto, ser pisado por transeuntes. Outros atos poderão ser feitos, cabendo ao Guia-Chefe da Instituição enumera-los. A partir daí o quadrante torna-se uma extensão provisória do próprio Templo Umbandista.

O que não se pode fazer é andar ao longo da orla e aleatoriamente indicar um lugar na areia, em meio a biquínis minúsculos e situações vulgares, fixar imagens e símbolos, e simplesmente começar uma gira. Quem assim age demonstra desconhecimento de ritualística e menosprezo em relação à Umbanda.

Muitos devem estar pensando que devido a praia (mar e a areia) ser um campo vibratório de fluxo energético, a Espiritualidade se encarregaria de sempre deixa-los harmonizados e equilibrados. Ledo engano. O que mais testemunhamos hoje são rios, lagos, cachoeiras e florestas completamente contaminados pela ação do bicho-homem, que criminosamente põe em risco sua própria existência. Por ação do Homem, ele mesmo se torna vítima de seu próprio comportamento, colhendo aquilo que semeou. Lembrem-se que nós é que precisamos dos sítios vibracionais.

Por fim, devemos lembrar que os rituais praianos devem ser discretos, organizados, sérios e direcionados ao bem e a caridade. O culto e louvação serão sempre direcionados ao Elemento Água, bem como à Espiritualidade a ele vinculada, que deverá ser o único centro das atenções e orações.

Saravá Umbanda!

EXERCÍCIO MEDIÚNICO

O exercício mediúnico na Umbanda exige um grau de responsabilidade tal que seria aconselhável ao candidato a ingresso no corpo sacerdotal de um templo que, no curso de seu preparo, fizesse uma análise séria de sua capacidade de renúncia e da sua disposição de se dedicar ao ministério sacerdotal da religião – porque o médium umbandista é o sacerdote do segmento religioso – para que não venha mais tarde a se ressentir de um ato praticado por simples entusiasmo ou por qualquer outro motivo que não se compatibilize com a prática da caridade.

A sua conduta no terreiro tem que ser a conduta do sacerdote sempre disposto a concorrer para transformar em saúde e alegria, a dor e o sofrimento alheio. Fora do templo, nos locais de trabalho profano ou nas relações sociais e onde quer que o leve seus interesses materiais, deverá estar o cidadão correto, de moral ilibada, de conduta infensa a práticas reprováveis. Jamais um umbandista deixará de cumprir o seu dever para se dedicar a atividades de lazer. E julgamos aconselhável que o exame acima sugerido seja feito com o máximo critério, durante o preparo, porque da atividade mediúnica não decorrerá qualquer paga ou retribuição, quer seja em dinheiro ou, indiretamente, através de presentes ou outra forma de retribuição. Os benefícios são outros. É o sentimento de dever cumprido. É a certeza de estarmos a serviço do Bem, socorrendo irmãos, usando a faculdade da mediunidade que nos foi concedida, como sublime forma de praticarmos a caridade, elevando nossos espíritos e abrindo-lhes créditos na contabilidade kármica. A nossa alma se asserena e o corpo se forra aos desfalecimentos. E quanto mais forte se sentir o corpo, tanto mais o espírito se sentirá gratificado.

O exercício da função mediúnica na Umbanda é sacerdócio que somente poderá ser realizado com eficiência, quando a opção pela missão religiosa tenha sido feita com tranqüila consciência das pessoas que podem dedicar a vida ao bem-estar do próximo. O procedimento correto no templo, no decorrer dos trabalhos mediúnico-espirituais, e no atendimento ao público, sem distinção de raça, credo religioso, condição social, a atuação harmoniosa no lar, com a família, a lealdade e a seriedade nos locais de trabalho e no relacionamento com os companheiros da vida terrena, são características indispensáveis aos médiuns.

Sabemos que das peculiaridades mediúnicas, no tocante ao estado alterado da mente, a semiconsciência é a que encontramos com maior freqüência. Quando referimo-nos a tal, não abrimos margem à intervenção do médium na comunicação dos espíritos ou à interferência do estado de espírito do aparelho, influenciando negativamente a mensagem transmitida. O médium não pode participar a não ser como veículo de comunicação, mantendo-se totalmente neutro ou, ainda melhor, alheio ao que está se passando entre o espírito incorporante e o consulente. A discrição do médium sobre assuntos que a sua semiconsciência pode registrar durante a incorporação é primordial no uso da faculdade mediúnica e tão importante quanto o segredo profissional do médico. A atenção com o Segredo de Sacerdócio deve sempre ser redobrada. O médium que refere a outrem o que foi confiado aos espíritos incorre numa falha que prejudica a atuação e a imagem das entidades espirituais que se manifestam e abala a confiança do consulente que busca uma orientação, cura ou palavra de consolo.

Poderíamos dizer que compete às entidades espirituais corrigir o erro do aparelho, quando fora do alcance de sua vibração. Todavia, a responsabilidade do procedimento mediúnico, do cumprimento correto da posição de mediador, cabe ao médium, que por indiscrição, pela incapacidade de manter um segredo, os motivos que levaram o irmão ao guia, põem em jogo a confiança nos espíritos depositada.

Não compete ao médium, também, relatar o êxito dos trabalhos efetuados pelas entidades de que é aparelho, ou enaltece-las. Todos nós sabemos dos resultados obtidos pela atuação dos Caboclos, Pretos-Velhos, Exus e Crianças, sempre positivos, visando constantemente restabelecer na mente do filho que os procura a fé, a serenidade, a confiança de que os problemas que parecem insolúveis virão a ter soluções aceitáveis, e que todos nós, vencendo com firmeza os obstáculos e nos empenhando pelo progresso espiritual, teremos condições de atingir nosso objetivo e cumprir corretamente a missão mediúnica.

Saravá Umbanda!

POR QUE A UNIÃO FRACASSA?

Decorridos quase 100 anos desde a anunciação da Umbanda no plano físico pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, fato histórico ocorrido em 15/16 de novembro de 1908, no bairro de Neves, São Gonçalo – RJ, antigo distrito de Niterói, muito se tem discorrido e debatido sobre as várias tentativas frustradas em se unirem os vários terreiros existentes em torno de bases e diretrizes unionistas, para uma maior organização e harmonização do Movimento Umbandista.

Poderíamos apontar várias causas para o não êxito da tão sonhada unificação (diferente de uniformização). Porém, e para nossa tristeza e inquietação, todas elas têm como fator desencadeador o trinômio vaidade-egocentrismo-oportunismo, o que nos leva a crer que muitas pessoas ainda não estão preparadas moral e espiritualmente para assumirem missão de tamanha envergadura. A divergência começa, pasmem os leitores, pela tentativa de certos setores em não reconhecerem a Umbanda como religião genuinamente brasileira e negarem o Caboclo das Sete Encruzilhadas como sendo o porta-voz da Corrente Astral de Umbanda (temos conhecimento de pessoas que omitem a terceiros o acontecimento ocorrido em 1908 por sentimentos e interesses vis). O que nos deixa perplexos é o fato de que aqueles que não aceitam a Umbanda como sendo religião brasileira, nunca se dignaram a efetuar um estudo sério e imparcial sobre a Entidade Espiritual retrocitada, tão pouco em relação a seu médium, Zélio Fernandino de Moraes, limitando-se a difundirem entendimentos infundados, inócuos, sem nenhuma base fática.

Outra divergência é a que diz respeito a quem deve caber a liderança de um Movimento de Unificação. E de novo ficamos de “cabelos em pé” com algumas criaturas se digladiando para ostentarem o título de “unificador-mor” da religião. Estes indivíduos, mais preocupados em deixarem sua “marca” estampada do que propriamente realizarem alguma obra em favor da Umbanda, não têm a humildade e a visão de que a religião deverá estar acima dos interesses pessoais e da vaidade de alguns.

Um pouco mais adiante, nova celeuma. Porque aqueles cidadãos “eleitos” para estarem à frente do processo de organização e dinamização do Movimento, começam a querer ser o centro das atenções e os únicos a tomarem decisões, não levando em consideração a opinião e as ideias de outros, que podem ser melhores para a Umbanda; o reflexo é previsível. Outro fator para o insucesso dos vários movimentos de unificação foi e é o repugnante oportunismo. É que alguns, movidos por ideias e ideais que só trazem benefícios a seus próprios interesses, começam a vislumbrar a oportunidade de se valerem do movimento de unificação para galgarem cargos políticos, para se locupletarem (enriquecimento ilícito), e ganharem status. Para estes a finalidade precípua de esclarecer, difundir e enaltecer os postulados da Sagrada Lei de Umbanda, que é o fim único do processo, fica em plano secundário, dando lugar a interesses subjetivos e sem nenhum valor espiritual.

Não obstante termos colocado a mais pura e dolorosa realidade para a ocorrência de consecutivos fracassos de unificação dos terreiros, o desânimo não deve prosperar, pois temos a certeza que o Plano Espiritual está atento e no momento apropriado congregará irmãos realmente compromissados com nossa religião, que tomarão para a si a valorosa missão de unificação dos umbandistas. Os que realmente se preocupam com o futuro da Umbanda devem continuar o seu trabalho.

Preciso é que todos tenham consciência de que inexoravelmente as pessoas passam e que o maior legado que podem deixar para os umbandistas do futuro é um movimento forte, coeso, e fraternizado, dando mostras que o importante é servir a nossa querida Umbanda, e não se servir dela.

Saravá Umbanda!

A Umbanda foi anunciada no plano físico através do iluminado espírito que se nominou Caboclo das Sete Encruzilhadas, em 15 de novembro de 1908, em Neves, São Gonçalo, antigo distrito de Niterói. Fato!

A Umbanda é religião cristã e genuinamente brasileira. Usa vestimenta branca, símbolo de igualdade, fraternidade, paz, a cor matriz e de Oxalá, encerrando em si todas as demais cores representativas dos Orixás. Não cobra por caridade, não sacrifica animais em sua ritualística e evangeliza.

Isto é fato.

Ao par destes princípios sadios e básicos que norteiam a religião, muitas pessoas, desde o início do culto, sempre pugnaram pela elevação de nossa querida Umbanda nos mais diferentes aspectos. Dentre eles, o de cunho subjetivo (pessoal) sempre foi alvo das mais contundentes discussões. Temas como a moral, ética, conduta mediúnica etc., sempre foram objetos de polêmicas, onde cada um tenta fazer ver aos outros que tal ou qual comportamento é certo ou errado. No entanto, por trás destas discussões sócio-educativas, existiam e existem duas forças antagônicas se digladiando incessantemente: a força da moral, dos bons costumes, da ética, da espiritualidade superior, da verdade: e a força da subjugação, da mentira, da permissividade, da parcialidade, da imoralidade.

No Movimento Umbandista, como em outros segmentos religiosos, há uma pluralidade de ideias e ideais; uma heterogeneidade de interesses em relação à religião. Existem aqueles que apenas servem-se ou tentam servir-se da Umbanda para seus próprios interesses. Não esclarecem nem difundem os sublimes ensinamentos e metas do Astral Superior; pregam rituais sem fundamento, sustentam-se materialmente do que praticam; fazem dos terreiros balcão de negócios, como se fosse uma empresa comercial; não discutem abertamente os problemas na religião, porque, se discutirem, colocarão sob avaliação suas condutas distorcidas e eivadas de máculas.

Outros, corajosos e comprometidos com o aperfeiçoamento daqueles que militam na seara umbandista, estão sempre a comentar e orientar outros irmãos quanto aos fenômenos negativos que ora se apresentam, mostrando o caminho correto ante as mazelas emergentes.

A Ética por exemplo, conjunto de princípios e deveres morais que o Homem tem para com Deus e a sociedade, é fator que deve preponderar em qualquer pessoa que queira ver a Umbanda fortalecer-se como sistema religioso e doutrinário. Para que tal processo ocorra é preciso, inexoravelmente, trazermos à tona os focos destoantes de comportamentos. A partir daí, veremos melhor quem são aqueles realmente comprometidos com as diretrizes da Espiritualidade. Visualizaremos também outros tantos que estão somente preocupados em sedimentar a obscuridade, a confusão, a permissividade.

Os verdadeiros umbandistas não temem discutir os aspectos subjetivos e materiais existentes na religião, pois são sabedores que tal ação só melhorará a Umbanda, fazendo com que tenhamos um Movimento Umbandista melhor, mais moralizado, mais elevado, de melhores médiuns e assistentes. Quanto àqueles que insistem em esconder os problemas na religião, fazem-no porque, ocultando os focos destoantes, estarão camuflando as aberrações ético-morais de si mesmos, contaminados que estão de condutas que os costumes, o caráter e a honestidade sempre repeliram e repelirão.

Para estes, só a misericórdia de Deus !!!

Saravá Umbanda !!!

SACERDÓCIO NÃO É PROFISSÃO

Não nos agrada abordar assunto de tamanha gravidade, que infelizmente tem tomado proporções perigosas dentro do Movimento Umbandista, por conta de alguns ditos médiuns. No entanto, premidos pela imperiosa necessidade de alertarmos e orientarmos médiuns e assistentes a não serem vítimas de elementos de caráter duvidoso, que ainda contaminam nosso refúgio de fé, é que passamos a discorrer sobre o presente tema.

Sabemos que a mediunidade é uma faculdade neutra ofertada pelo Criador, antes mesmo de reencarnarmos, com os fins específicos de servirmos de instrumentos à missão dos espíritos; para acelerarmos nosso progresso espiritual através da caridade; e também para que nossos amigos espirituais possam subir cada vez mais os degraus da escala espírito-evolutiva.

Deste modo, a mediunidade constitui-se em um modo de nos redimirmos de faltas pretéritas (mediunidade expiatória); de alcançarmos progresso espiritual (mediunidade evolutiva), e, de igual forma, cumprirmos metas para o progresso espiritual da humanidade (mediunidade missionária). Neste sentido, a faculdade mediúnica tem como um de seus atributos maiores o dar de graça o que de graça foi recebido, vale dizer, sermos veículos gratuitos de ação dos bons espíritos para auxílio ao próximo, assim como a mediunidade nos foi concebida por Deus para nos auxiliar em nossa jornada.

A partir daí, observamos que o médium deve imbuir-se dos mais nobres sentimentos existentes e dedicar-se desinteressadamente a atividade mediúnica, para que a Espiritualidade possa amparar e orientar aqueles que, por razões diversas, não conseguem suplantar suas angústias e sofrimentos. E nada mais salutar do que observarmos um irmão outrora combalido pelas intempéries cotidianas terrenas, levantar-se espiritualmente e retomar seu caminho, com cabeça erguida, seguindo as diretrizes do Plano Astral Superior.

Fica claro então que a mediunidade jamais poderá ser exercida como profissão, onde o vil metal eleva-se como fator preponderante, relegando-se a segundo plano o fim caritativo de tal labor.

Infelizmente ainda detectamos em alguns templos pessoas que encaram a mediunidade, não como forma de alimentação espiritual à almas doentes, mas sim como meio de sustento de seus interesses e da sua vida. Estes, devido ao seu desvirtuamento comportamental, ficam preocupados e atentos somente com o que é arrecadado durante uma Gira ou sessão, ou a cobrar por consultas aos espíritos. Certamente quem desta maneira age, atrai para si, consoante a Lei de Afinidades, espíritos avarentos, com cobiça, apegados ainda aos valores materiais. E é notório o que esta conduta resultará para os que assim procedem.

Longe de nós sermos contra o pagamento de mensalidades e doações para a manutenção das instalações do espaço de caridade. Mas daí a fazerem uso do numerário arrecadado para sustento próprio vai uma grande diferença.

Mais vale vender balas em trem e churrasquinhos na rua, que se constituem em atividades honestas e nobres, do que se valer da bondade, da fé e do desespero das pessoas para se sustentar financeiramente, comportamento imoral e ilegítimo.

Reflitam Umbandistas!

UMA PALAVRA SOBRE O SINCRETISMO

Um dos assuntos que mais tem chamado a atenção daqueles que militam no Meio Umbandista e que tem causado uma grande confusão, principalmente na mente dos médiuns iniciantes, é, sem dúvida, o Sincretismo Religioso.

Para entendermos melhor o processo de semelhança entre as divindades cultuadas pelo povo iorubá e os santos católicos, e seus reflexos dentro da Umbanda, necessário se faz voltarmos ao século XVI, período em que os negros começaram a desembarcar em Terras de Santa Cruz (Brasil). Abrimos parênteses para salientar que tal fenômeno não alcançou os escravos de origem banto (culto à Nkise/Mukixe) e fon/ewé (culto aos Voduns), uma vez que tais povos chegaram ao Brasil bem antes dos iorubás, período em que suas respectivas expressões de religiosidade foram brutalmente oprimidas.

Ao chegarem ao Brasil sob o peso dos grilhões, equiparados a mercadorias e excluídos do gênero ser humano, os negros já carregavam em sua mente e em seu comportamento o sincretismo religioso proveniente dos conflitos havidos entre as diversas etnias do solo africano. Como elemento constituinte do processo de dominação pós-guerra, os vencedores tinham como estratégia sobrevalorizar as divindades que cultuavam, massificando aos derrotados o caráter superior do poder dos deuses por eles, os vencedores, louvados. Aproveitavam este mesmo estratagema e tratavam de menosprezar os deuses “derrotados”. Os vencidos aceitavam ou simulavam aceitar o panteão de divindades dos dominadores. Desta forma não abandonavam o culto a seus deuses, camuflados agora nas imagens das divindades “opressoras”, o que os fazia manter a religiosidade anterior, sem ir de encontro aos conceitos religiosos dominantes. Em algumas situações as Nações vencedoras, numa atitude “humanitária”, permitiam aos derrotados a continuação dos cultos nativos, desde que houvesse uma sobreposição das divindades “mais fortes”, vale dizer, da religião do ganhador.

Observamos, ao lado do processo de sincretismo ocorrido em solo africano, outro mecanismo utilizado para enfraquecer e pulverizar a crença das várias Nações negras subjugadas e escravizadas: agora é o traficante que propositalmente deposita nos navios negreiros os escravos de diversas etnias, como tentativa de enfraquecê-los moral e religiosamente. Grupos rivais quase sempre se digladiavam, tentando impor um ao outro seus conceitos, hábitos e convicções. No entanto, mesmo neste cenário cruel, alguns escravos perceberam que todos estavam em situação semelhante e para sobreviverem era necessário se unirem, ou, ao menos, se tolerarem, surgindo deste contexto opressivo influências recíprocas no campo cultural e religioso.

Tratados como máquinas pelos Senhores de Engenho, os escravos, nas poucas horas de descanso, praticavam rituais próprios de adoração e evocação de suas divindades, as quais chamavam de Orixás. No entanto, eram fortes a influência e a pressão que os sacerdotes católicos exerciam sobre os latifundiários, para que este os auxiliassem a destruir a religiosidade “pagã” dos negros, para “salvação” de suas almas. E esta aspiração dos sacerdotes de Roma em muito era benéfica aos senhores escravocratas, tendo em vista a constante preocupação com revoltas, indisciplinas e fugas por parte dos escravos.

Diante da vigilância e repressão, os negros, inteligentemente, passaram a utilizar em seus ritos religiosos, até então proibidos, as imagens de santos católicos, que colocavam em seus altares, ocultando a representação de suas Divindades por sob as ditas estatuetas, transmitindo aos brancos a falsa idéia de conversão ao catolicismo e cultuação de seus santos. Paralelo a isto, os sacerdotes papais tentavam de todas as maneiras possíveis fazer com que os negros abandonassem seus cultos “politeístas”, valendo-se para este processo de aculturação religiosa das histórias de personalidades “santificadas” pela igreja católica.

Aprenderam, por exemplo, que São Sebastião foi vítima de flechadas no interior das matas, assemelhando-o a Oxósse, o Orixá das matas, cujos símbolos são o arco e a flecha; que São Jorge tinha sido um centurião com muitos feitos militares na Roma antiga, assemelhando-o a Ogum, o Orixá protetor dos agricultores, o vencedor de batalhas, o deus do ferro, simbolizado na espada e na lança, acessórios utilizados pelos soldados de Roma; que São Lázaro teria tido seu corpo coberto de feridas (chagas) e voltado do mundo dos mortos, assemelhando-o a Omolu/Obaluayê, o Orixá da “morte” e responsável por doenças kármicas e/ou reajustadoras, em especial a varíola, patologia que causa abscessos no corpo.

Outras semelhanças ou pontos de contato entre orixás e santos católicos advieram. De acordo então com o calendário católico para louvação aos santos, os escravos aproveitavam e reverenciavam suas divindades, primeiro para iludirem os brancos, segundo porque mesmo sendo oprimidos e maltratados muitos cativos respeitavam os cultos católicos.

Deste histórico de sobrevivência religiosa é que surgiu o sincretismo religioso, semelhança entre Orixás e Santos, os primeiros, divindades africanas, os segundos, personalidades da igreja.

Até aqui é notório que as religiões inseridas no contexto sincrético são o catolicismo e os cultos africanistas. Desta forma, a Umbanda jamais esteve presente no surgimento e difusão deste processo, pois sequer tinha sido plasmada como religião no plano físico.

Em 15 de novembro de 1908, em Neves, então distrito de Niterói, Estado do Rio de janeiro, um espírito missionário que apresentou-se como Caboclo das Sete Encruzilhadas manifestou-se na federação espírita daquele estado, utilizando-se da mediunidade de um jovem de 17 anos, Zélio Fernandino de Moraes. Este espírito anunciou o advento de um Movimento Espiritual (Corrente Astral) de amor e amparo ao próximo, encarnados ou não, sem preconceitos ou discriminações. No dia seguinte, 16 de novembro, o Caboclo das Sete Encruzilhadas tornou público o nome do novo segmento religioso: Umbanda, onde, através da intermediação físico-astral (mediunidade), uma gama incomensurável de espíritos poderia laborar em prol da humanidade.

O equívoco começa quando algumas pessoas ligadas aos cultos africanistas ou afro-brasileiros (candomblés) iniciam um processo de imigração, ou interação para com a Umbanda, trazendo, além do nome de Orixás, as correspondências (sincretismo) entre suas divindades e as personalidades do catolicismo, resultando daí uma grande mistura de conceitos, bases, atributos, preceitos, e outros mais.

Respeitamos os santos católicos que, diga-se de passagem, foram encarnados como nós, com virtudes e defeitos. Entretanto, devemos ter em mente que os mesmos são próprios da igreja católica, não do Candomblé, e muito menos da Umbanda. Por conta disto, apontamos também o crescente número de imagens (estatuetas) representativas de santos católicos utilizados nos Templos Umbandistas, cujos congás parecem mais altares de igreja.

Não negamos que elas, as imagens, assim como os retratos e pinturas, funcionem para alguns como ponto de referência, de fixação, de concentração. O mais importante, contudo, é que os umbandistas tenham ciência que somente os nomes das divindades africanas respingaram na Umbanda, não os conceitos das Nações africanas em relação a seus deuses. De que o sincretismo deu-se entre os cultos africanos e o catolicismo para sobrevivência dos primeiros, e que o único benefício material auferido pela Umbanda através do sincretismo foi uma maior inserção social, naquela época eminentemente católica.

Deixemos os Orixás, Nkices e Voduns para o Candomblé, de raiz iorubá, banto ou fon. Deixemos os Santos para a igreja católica. E passemos a dar mais atenção aos trabalhadores espirituais que congregam a Corrente Astral de Umbanda.

Saravá Umbanda!

O USO INDEVIDO DE TÍTULOS

As primeiras religiões nascidas no planeta, movimento humano de reaproximação com o Divino, é notório, emergiram no continente asiático, mais especificamente na antiga índia, onde o Vedismo, Hinduísmo, Budismo etc. estruturaram os diversos rituais e liturgias templários, alicerçadas em bases filosófico-espirituais de relevante grau de espiritualidade. Por questões de organização interna, e, em alguns casos, por vaidade e status, os sacerdotes destas religiões implantaram diversas nomenclaturas para designarem as várias funções exercidas naqueles segmentos religiosos. As demais religiões que passaram a existir também adotaram nomes ou títulos religiosos, consoante a responsabilidade e a missão desempenhadas por seus adeptos. Hoje observamos que no catolicismo temos o papa, o padre, o bispo, o cônego etc. Nas igrejas protestantes o missionário, o presbítero, o pastor. Na igreja messiânica o ministro, e assim por diante.

As explanações, aqui colocadas de forma muito sintética, foram necessárias a fim de esclarecermos de forma racional e objetiva a respeito do uso indevido de títulos religiosos dentro de nossa Umbanda.

Nossa religião foi anunciada no plano físico através do iluminado espírito que, sob a forma fluídica de um índio brasileiro, apresentou-se como Caboclo das Sete Encruzilhadas, acontecimento histórico ocorrido em 15/16 de novembro de 1908, em Neves, atual bairro de São Gonçalo – RJ, naquela época distrito de Niterói.. A entidade espiritual missionária, fixando as bases e diretrizes para o desenvolvimento da religião de Umbanda, asseverou que a direção dos trabalhos espirituais e da administração dos templos ficaria a cargo de um espírito (guia-chefe), e de um encarnado, respectivamente, os quais seriam chamados de presidente (o que preside, comanda, dirige). Entretanto, com o passar do tempo alguns dirigentes materiais (presidentes administrativos) começaram a se intitular Babalorixás (homens) e Yalorixás (mulheres), títulos estes pertencentes aos dirigentes físicos do que conhecemos como Candomblé. Tal afirmação não é fruto de devaneios, mas sim o resultado de estudos das obras de grandes etnólogos africanistas (estudiosos das raças), como Nina Rodrigues, Arthur Ramos e Pierre Fatumbi Verger, que por várias décadas esmiuçaram os cultos às divindades africanas.

No livro “Os Orixás”, diz Pierre Verger que a religião que presta culto aos diversos deuses do panteão africano está ligada a noção de família, o clã numeroso, originário de um mesmo passado, englobando vivos e mortos. O Orixá seria em princípio um ancestral divinizado que em vida estabelecera vínculos com determinadas forças da natureza. Vê-se, portanto, que o culto às divindades da África tinha e tem como pressuposto uma linhagem em comum, qual seja a família. Após o desencarne, o ancestral divinizado escolheria um de seus descendentes para ter o privilégio de incorpora-lo no orbe terreno. O escritor supracitado menciona que estes descendentes que têm tal privilégio são chamados de Elégùns (aquele que é montado). Continua, dizendo que a divindade africana é um bem de família, cuja responsabilidade do culto fica a cargo do Elégùn, auxiliado por outros sacerdotes, sendo intitulados normalmente de Olorixás (sacerdotes do Orixá). O Elégùn é conhecido também por Iyawóòrisá (yalorixá), termo aplicado a homens e mulheres, significando aquele que cuida e reverencia a divindade.

Com o passar do tempo, movidos por modernidades que às vezes deturpam a essência da tradição, houve uma dicotomia (divisão) no sentido de identificar o sexo do sacerdote-chefe. Assim convencionou-se que babalorixá (baba = pai ou mãe + lorixá = sacerdote do Orixá seria atribuído aos homens, e Yalorixá (yaô = mulher + olorixá = sacerdote do Orixá) seria conferido às mulheres. Os babalorixás e yalorixás seriam então os responsáveis pela iniciação de novos adeptos e zeladoria do culto. Responsáveis pelo templo, a eles caberiam a tarefa de iniciação na religião, bem como o comando da ritualística e de aplicação dos procedimentos pertinentes ao culto.

Todas estas singelas informações são de crucial importância para colocarmos as coisas em seus devidos lugares, ou seja, de afirmarmos categoricamente que os termos Babalorixá e Yalorixá só podem ser utilizados, por direito, por aqueles que dirigem templos de candomblé, de raiz iorubá, e iniciam seus filhos e filhas no Orixá, conforme as regras endógenas e exógenas que lhes são afins. É incontestável que na Umbanda não se faz bori, não se faz raspagem e feitura de cabeça, não se recolhe o sacerdote ao roncó ou camarinha, pois que estes ritos são atribuições diretas ou indiretas dos dirigentes dos cultos afro-brasileiros.

E por que alguns dirigentes materiais que se dizem umbandistas utilizam tais títulos? Bem, a experiência nos leva a três causas para tal prática. A primeira diz respeito à ausência de conhecimento do real significado e origem dos termos Babalorixá e Yalorixá. A segunda causa repousa no fato de que dirigentes umbandistas foram candomblecistas, e que durante a mudança de segmento religioso, passaram a se utilizar de tais títulos. A terceira causa, e esta é grave, consiste em alguns se utilizarem de tais termos por pura vaidade, a fim de impressionarem aqueles que os cercam.

Sejamos imparciais nesta e em quaisquer outras questões atinentes à Umbanda. Temos que reconhecer que cabe razão aos irmãos candomblecistas quando dizem que alguns dirigentes umbandistas se apropriam e utilizam indevidamente dos títulos que só por direito os sacerdotes-chefes de Barracões, Ilês, Roças etc. podem utilizar. A propósito, a palavra Babalawô (pessoa iniciada em oráculos – ifá) também não pertence à Umbanda.

Os protestos ganham mais razão quando verificamos que o Caboclo das Sete Encruzilhadas, e seu médium Zélio Fernandino de Moraes, jamais disseram que o dirigente material de um Templo Umbandista seria chamado de Babalorixá ou Yalorixá.

Saravá Umbanda!

NA UMBANDA NÃO HÁ DOUTORES

Em meio às atividades espírito-materiais de alguns terreiros que pregam a igualdade, a fraternidade, o amor, a caridade etc., um fato, dentre aqueles que nos deixam perplexos, tem chamado a atenção. Por isto mesmo, merece uma análise mais profunda e esclarecedora por parte daqueles que querem ver o Movimento Umbandista mais forte, coeso e coerente.

Estamos falando da ostentação de títulos de ordem honorífica ou profissional como instrumento de aspiração ao poder e também como meio de dominação, subjugação e humilhação frente a terceiros. A Umbanda, assim como outros agrupamentos religiosos, é formada por pessoas das mais diferentes classes econômico-sociais e étnicas, que, justapostas, formam o que se denomina meio religioso intercorrente. Também é de conhecimento geral que, não obstante as pessoas terem profissões ou ofícios diferentes, todas deverão estar alí, naquele espaço de caridade, imbuídas da mesma finalidade: auxílio espiritual e material aos necessitados. Faz-se então necessário traçar uma linha divisória entre o statusque algumas pessoas possam ter em sociedade e o trabalho mediúnico exercido pelas mesmas. Todos, independentemente dos títulos honoríficos ou profissionais que possuam, deverão estar irmanados com aqueles que não puderam alcançar um estágio cultural e/ou econômico mais elevado, no sentido de juntos, darem sua cota de sacrifício e suor em prol de nossa religião.

Com pesar, observamos que alguns indivíduos ainda julgam a existência de bondade, de caridade, de altruísmo, pela riqueza material ou intelectual que outros têm. Não que bens, cultura e inteligência sejam nocivos, muito pelo contrário. Se bem utilizados, são de grande valia para o progresso da humanidade. Referimo-nos a alguns médiuns que tratam de maneira distinta os abastados e os pobres; que tratam com pompa os que possuem títulos universitários, desprezando aqueles que possuem quando muito o primeiro grau; que dão atenção e mantém diálogos somente com aqueles que têm automóvel novo e sucesso econômico. Referimo-nos também àqueles que desejando fazer parte ou já estando no corpo de médiuns ou sendo frequentador de um terreiro, fazem tremenda e irrevogável questão de serem conhecidos e chamados como Dr. Fulano, advogado, Dr. Beltrano, engenheiro, Dr. Fulana, médica etc. Que fazem absoluta questão de alcançarem cargos ou funções que os façam importantes e admirados dentro da coletividade religiosa.

Temos assistido alguns destes “doutores” reclamarem, apresentando seus diplomas, um lugar de destaque ou maior envergadura dentro das atividades de um Templo de Umbanda. Pressionam para que aqueles que têm alguma função ou responsabilidade dentro de um terreiro, fruto de méritos próprios, sejam substituídos, asseverando: “Eu sou formado, sou doutor, logo sou melhor e não posso obedecer a ordens ou estar em posição inferior em relação àquele que não é instruído ou formado”. A soberba, a vaidade, o orgulho, a ganância, o egocentrismo e a ambição doentia não deixam ver a estas pessoas que o que importa na Umbanda é o SER, vale dizer, ser honesto, ser dedicado à religião, ser simples, ser humilde, e não TER, ter títulos profissionais, carrões último tipo, mansões suntuosas, e um belo saldo bancário.

A religião jamais poderá ser utilizada como ferramenta de projeção social, bem como em complemento de sucesso profissional. A Umbanda, nossa querida e elevada religião, foi plasmada do Plano Astral trazendo como carro-chefe os arquétipos espirituais de índios e negros, que simbolizam a humildade, a dignidade, a sinceridade e o alto grau de espiritualidade, sentimentos e virtudes ainda ausentes em muitos corações. Em nosso porto de fé não há lugar para ostentações terrenas, não há lugar para títulos materiais, tanto para espíritos quanto para médiuns e assistentes. Na Umbanda não se manifestam espíritos com o rótulo de “doutores” ou “mestres”, mas sim os esforçados e trabalhadores Caboclos, Pretos-Velhos, Crianças e Exus, seguidores das diretrizes da Espiritualidade.

Que esta simples dissertação possa de alguma forma contribuir para que alguns irmãos umbandistas, ainda impressionados com títulos e posses terrenos, alcancem o verdadeiro sentido da palavra IGUALDADE, e assim colaborem para que cada vez mais a Umbanda possa se tornar, não religião de ricos e pobres; de doutores e proletários, mas sim em segmento religioso de irmãos, unidos por laços de amor, fé e fraternidade.

Saravá Umbanda!



O SAL GROSSO NA TERAPÊUTICA

ESPIRITUAL

Um dos compostos químicos naturais mais utilizados em trabalhos de assepsia nos Templos Umbandistas é o Sal Grosso.

A imensa maioria das pessoas e um grande número de médiuns que militam na Umbanda desconhecem o fundamento de tal prática, ou restringem-se a dizer que o sal grosso serve para banho de descarrego. Para nós os aspectos doutrinários da religião sempre serão um leque aberto, sem mitos, tabus ou “mistérios”, a abanar com conhecimento, amor e carinho os verdadeiros filhos de fé. Por isto, segue a devida explicação.

O sal grosso, assim chamado por não ter passado por processo de refino industrial, é um composto químico natural e cientificamente nominado de Cloreto de Sódio, derivado da coesão de dois outros elementos químicos naturais, que são o Cloro e o Sódio. O cloro é formado por molécula de grande poder germicida e bactericida, sendo utilizado em várias finalidades depurativas. O sódio, outro elemento formador do sal grosso, é um metal e tem como função agir como condutor térmico e eliminador de corpos nocivos à saúde.

Falamos até agora do sal grosso enquanto composto químico formado pela junção natural do cloro e do sódio, elementos existentes em nosso planeta.

O aparecimento do sal grosso ou cristalizado deu-se a partir da fusão daqueles elementos mencionados, obedecendo a espiral de determinadas circunstâncias correntes no planeta terra, e também a precipitação de condições para sua condensação. Vale ressaltar, antes de continuarmos, que estamos nos referindo a elementos químicos naturais, e não a produtos industriais que se vendem por aí, e que fazem mal à saúde.

É de conhecimento geral que a matéria tangível aos nossos sentidos foi formada a partir da Química Astral, sendo um dos reflexos do Fluido Universal. Os elementos químicos astrais, durante a formação da Terra, entraram em um ciclo de condensação permanente, dando origem ao planeta aonde habitamos. Tanto é verdade, que o centro do globo terrestre recebe continuamente estes elementos astrais que, sob certas condições, se condensam ou formam novos elementos químicos densos, materializados. Soma-se a isto o fato incontestável do centro da Terra estar sob a dinâmica de uma força centrífuga (de dentro para fora), que expeli para crosta os elementos supracitados.

O cloro e o sódio são elementos químicos resultantes do que se pode chamar, para entendimento geral, do cloro e do sódio “astrais”, que condensados e fundidos, deram origem ao Cloreto de Sódio. Assim sendo, a contraparte etérea, presente no sal grosso físico é que faz a limpeza fluídica do espírito encarnado. O cloro em forma etérea será responsável pela limpeza do corpo astral, do corpo vital, da aura, enquanto o sódio, também em forma etérea, terá a função de conduzir e escoar miasmas e cargas fluídicas negativas. É comum as entidades espirituais da Corrente Astral de Umbanda ministrarem banhos com sal grosso, para a limpeza áurica e perispiritual, desagregando miasmas e larvas astrais. Merece salientar que os banhos com tal elemento (sal grosso) devem ser ligeiros, vale dizer, após o derrame sobre o corpo do cloreto de sódio (sal) diluído em água e em pouca quantidade, o indivíduo, logo a seguir, realiza um banho comum, a fim de tirar os resíduos do banho anterior. Depois do banho comum, que retirou os resíduos de sal, é essencial que se tome outro banho, desta vez preparado com ervas frescas; tais vegetais devem ser de atração e fixação de magnetismo positivo. O motivo deste terceiro banho é que o sal retira tanto os miasmas quanto o magnetismo positivo.

Lembramos que se o sal grosso for utilizado em grandes quantidades acaba funcionando não como um elemento desagregador e corrosivo, mas sim como fixador.

Em suma, aí estão expostos os fundamentos basilares do uso do sal grosso. Muito mais poderia ser dito a respeito, mas por hora esperamos que tais informações sejam úteis aos filhos de Umbanda, e que os mesmos possam tomar ou ministrar banhos com esclarecimento específico da função e ação daquele composto químico natural.

Saravá Umbanda!

CONHECIMENTO:

CAMINHO PARA A LIBERTAÇÃO

Já diz um velho ditado: “Em terra de cego quem tem um olho é rei”.

Ao aplicarmos a mensagem transmitida nesta frase ao Movimento Umbandista (conjunto de pessoas vinculadas à religião), observamos que a mesma se encaixa perfeitamente no atual estágio religio-instrucional de muitos médiuns e assistentes.

O conhecimento, somatório de informações adquiridas e absorvidas durante a vivência carnal e/ou espiritual, que versam sobre assuntos científicos, religiosos, filosóficos, e outros mais, sempre teve um duplo aspecto social em relação aos potenciais receptores de informações. O conhecimento sempre foi mola-mestra para o progresso da humanidade. Através do esforço de pessoas intelectualmente privilegiadas, que passaram a buscar respostas ou resultados as suas indagações sobre os diversos fatos e atos da vida, os seres humanos puderam ter acesso a uma gama de conhecimentos que os fizeram desenvolverem habilidades, dirimir problemas, facilitando o dia-a-dia. Graças aos grandes cientistas e pensadores do passado e presente, movidos por sentimentos altruístas e isentos de egoísmo, ambição, soberba etc., é que a sociedade teve a cesso a vacinas contra patologias até então incuráveis, teve acesso a remédios de ação preventiva e repressiva contra várias doenças. Todos estes grandes cientistas, pensadores e inventores dedicaram-se a melhorar a qualidade de vida dos habitantes deste planeta. Enfim, tornaram públicos e acessíveis a terceiros seus achados científicos.

Voltando a religião, a nossa querida Umbanda, verificamos que uma grande parcela de médiuns e estudiosos das coisas espirituais, ao serem privilegiados com certas informações, ao invés de difundi-las, a fim de que outros possam se beneficiar das mesmas para seu progresso espiritual, para uma melhor eficácia dos trabalhos espírito-caritativos, ou ainda para simples elevação de cultura, guardam a sete chaves tais conhecimentos, impedindo a evolução alheia. E por que fazem isto? Bem, não se precisa ser muito inteligente para concluir que, guardando tais descobertas, os detentores de “tais segredos” se achariam em posição de ascendência, de dominação, de escravizador, frente àqueles que os cercam. Demos como exemplo um terreiro onde uma pessoa sabedora dos tais “pulos do gato”, ou que se ache sabedora dos mesmos, queira, pela fragilidade do caráter, moral, e com interesses ilegítimos, manipular e subjugar os médiuns e assistentes daquele templo a fazerem algo ou a se portarem de tal modo, consoante seus vis desejos. O que fará ele? Com certeza não passará aos filhos de fé respostas a diversos fenômenos a priori sobrenaturais. Não passará determinados fundamentos básicos para certas práticas litúrgicas ou magísticas. Não esclarecerá assuntos considerados como mitos ou tabus, e assim por diante.

Assim ocorrendo, o detentor ou suposto detentor dos “segredos” ficaria sempre em posição de manipular os outros membros da instituição religiosa. Implanta-se a escravidão sacerdotal, onde o menos esclarecido, por temor, cede aos caprichos e ordens ridículas do seu ”iniciador”. E se por uma causa ou outra o filho não obedecer, o “chefe” aplica o terror psicológico, dizendo ao fragilizado que lhe acontecerá as piores desgraças e dissabores.

Existem grandes dirigentes umbandistas que realmente ensinam os aspectos pertinentes à Umbanda, e que têm o cuidado de só passarem informações àqueles realmente umbandistas, excluindo desta forma os “médiuns” inescrupulosos e de baixa moral. Estes dirigentes estão contribuindo para que no futuro tenhamos comandantes físicos de terreiros mais instruídos, mais convictos e mais dedicados à religião. Quanto àqueles que servem de determinados “conhecimentos” para implantarem a escravidão, bem, estes com certeza, não estão amparados pela Espiritualidade Superior e responderão integralmente pelos atos de egoísmo, falta de amor ao próximo e desídia no cumprimento das diretrizes da Espiritualidade de Umbanda.

Imperioso se faz que todos se esforcem no sentido de buscarem informações e conhecimentos positivos, primeiro para se elevarem e ajudarem outros a progredirem espiritualmente, e segundo para não serem vítimas de alguns “sacerdotes”, verdadeiros lobos vestidos com pele de cordeiro.

Saravá Umbanda!

VOCÊ É UMBANDISTA?

Uma das questões dentro da comunidade umbandista diz respeito a se apontar, dentro de um raciocínio aplicável a consciência do ser humano, se determinadas pessoas podem ser consideradas, de fato e de direito, como filhos da Corrente Astral de Umbanda. Não queremos de forma alguma aplicar fórmulas matemáticas a aspectos humanos. Entendemos que cada um, dentro de seu estágio evolucional, tem uma maneira própria de se situar naquilo que conhece como religião, uma vez que os espíritos encarnados encontram-se em diferentes degraus da escala espírito-progressiva. No entanto, é certo e racional que firmemos parâmetros básicos que possam nortear e embasar uma definição, se não perfeita, pelo menos razoável, no que diz respeito a ser ou não ser considerado umbandista.

Tais considerações retrocitadas prendem-se ao fato de que, ao vivenciarmos o Movimento Umbandista, nos deparamos com situações (atos e fatos) que nos impulsionam a repelir determinadas formas de pensamento e comportamento, incompatíveis com as bases e diretrizes de nossa Umbanda. Vejamos:

Será que tudo o que foi escrito até agora servirá de alerta e conselho, para que alguns irmãos de fé se regenerem e possam engrossar as fileiras dos verdadeiros filhos de Umbanda?

Esperamos que sim.

Saravá Umbanda!

O ECTOPLASMA E SUA UTILIZAÇÃO NOS TERREIROS

Um dos elementos bioenergéticos mais utilizados por Caboclos (as), Pretos (as)-Velhos (as), Exus e Crianças, sejam em atividades curativas, harmonizatórias, e também na neutralização de demandas, é o nominado Ectoplasma.

O Ectoplasma, que tem despertado um grande interesse por parte das religiões mediúnicas e de cientista de todo mundo, é uma substância semimaterial, visível ou não, consoante sua quantidade e densidade, produzida/absorvida pelo corpo humano a partir da fusão e posterior metabolismo de quatro fluidos, quais sejam: fluidos astrais (química astral); fluidos da natureza (raios solares, magnetismo lunar, gases etc.); fluidos orgânicos (vegetais e animais); e fluidos inorgânicos (minerais). É de conhecimento também que o ectoplasma localiza-se nas células humanas, constituindo-se como uma parte etérica das mesmas.

Esta matéria, que em alguns casos de acúmulo excessivo, apresenta-se como uma geléia viscosa, de cor branca, semilíquida e que sai através dos orifícios do corpo humano (boca, nariz, ouvido etc.), é um dos elementos integrantes de nosso Corpo Vital (Duplo Etérico), sendo o envoltório intermediário entre o corpo astral (perispírito) e o corpo físico. É o dinamizador da parte biofisiológica do ser humano encarnado. Dizem alguns que é encontrado em maior quantidade na altura dos Centros de Força (chakras) Umbilical e Básico.

Não vamos nos ater a discorrer sobre o emprego de ectoplasma na materialização de espíritos (em realidade espírito–forma, uma vez que espírito-essência só Entidades Espirituais elevadíssimas conseguem visualizar) e objetos, situações em que deve haver um grande acúmulo de ectoplasma nos doadores desta substância, mas sim na sua utilização por parte dos espíritos trabalhadores de nossa elevada Umbanda.

Os Caboclos (as), Pretos (as) – Velhos (as), Exus e Crianças costumam utilizar o ectoplasma de seus médiuns para os mais variados fins (lembre-se: espíritos não têm corpo vital, logo não têm ectoplasma). Nos trabalhos de cura, costumam aplica-los nos Centros de Força dos assistentes, a fim de reequilibrar-se o fluxo energético (absorção e emanação de energias). Nos trabalhos direcionados ao desmanche de baixa magia, as Entidades potencializam a substância ectoplasmática, deslocando-se a lugares onde está a origem material da feitiçaria (objetos vibratoriamente magnetizados), passando a manipular tais materiais, desmagnetizando-os e neutralizando as demandas.

Devido aos espíritos utilizarem o ectoplasma humano em algumas tarefas onde há a necessidade deste fluido vital, muitos médiuns, ao término de uma sessão ou Gira, sentem-se fatigados, cansados, exauridos de energia, e com apetite aguçado. Esta situação ocorre em grande parte, e em vários graus, conforme a quantidade sorvida, em razão da retirada de parte do ectoplasma do médium por parte dos espíritos trabalhadores. É um acontecimento natural, facilmente dirimido pela ingestão de líquidos como água pura, sucos, refrigerantes, comestíveis, e, se possível, um ligeiro repouso. Após um curto espaço de tempo o ectoplasma volta ao seu nível normal.

O Ectoplasma ainda é assunto a ser mais explorado. A cada dia surgem novas informações sobre este nobre fluido que é de suma importância para a Humanidade.

O que se deve ter em mente, principalmente por parte dos médiuns sérios, é que a maior qualidade do fluido vital ectoplasmático está diretamente ligada aos hábitos do indivíduo, enquanto membro de uma sociedade heterogênea. Portanto, é de suma importância que não se abuse de bebidas alcoólicas, fumo e sexo, que, se ingeridos ou praticados em demasia, poderão influenciar na maior ou menor eficácia de determinados trabalhos espirituais.

Voltaremos ao tema em outra oportunidade.

Saravá, irmãos de fé!

POR QUE USAMOS O BRANCO



            Dentre os caracteres basilares de nossa Sagrada Umbanda, um dos elementos de grande significância e fundamento dentro da teurgia, liturgia e da magística, e o uso da vestimenta branca.

            Em 16 de novembro de 1908, data da primeira sessão de Umbanda no plano físico e também ocasião em que foi fundado o primeiro Templo de Umbanda, Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, o espírito Caboclo das Sete Encruzilhadas, entidade anunciadora da novel religião, ao fixar as bases e diretrizes do segmento religioso, expôs, dentre outras coisas, que todos os sacerdotes (médiuns) utilizariam roupas brancas. Mas, por quê? Teria sido uma orientação aleatória, ou o reflexo de um profundo conhecimento mítico, místico, científico e religioso da cor branca?

            No decorrer de toda a história da Humanidade, a cor branca aparece como um dos maiores símbolos de unidade e fraternidade já utilizados.

            Nas antigas ordens religiosas do continente asiático, encontramos a citada cor como representação de elevada sabedoria e alto grau de espiritualidade superior. As ordens iniciáticas utilizavam insígnias de cor branca; os brâmanes tinham como símbolo o Branco, que se exteriorizava em seus vestuário e estandartes. Os antigos druidas tinham na cor branca um de seus principais elos do material para o espiritual, do tangível para o intangível.

            Os Magos Brancos da antiga Índia eram assim chamados porque utilizavam a magia para fins positivos, e também porque suas vestes sacerdotais eram túnicas e capuzes brancos.

            Nas guerras, quando os adversários oprimidos pelo cansaço e perdas humanas, se despojavam de comportamentos irracionais e buscavam encerrarem a contenda, ou uma trégua, o que faziam? Desfraldavam bandeiras. E de que cor? A branca, claro!

            O que falar então do vestuário dos profissionais das diversas áreas de saúde. Médicos, enfermeiros, dentistas etc., todos utilizando roupas brancas para suas atividades. Por quê? Porque a roupa branca transmite a sensação de assepsia, calma, paz espiritual, serenidade e outros valores de elevada estirpe.

            Se não bastasse tudo o que foi dito até agora, vamos encontrar a razão científica do uso da cor branca na Umbanda através das pesquisas de Isaac Newton.

            Este grande cientista do século XVII, dedicando-se ao estudo das cores e da luz, em uma de suas experiências fez a luz comum (luz solar – branca) passar por um cristal em forma de prisma, conseguindo desdobrar a cor-matriz nas cores do arco-íris. Provou deste modo que a cor branca contém dentro de si todas as demais cores existentes. Newton realizou várias contraprovas para ratificar sua descoberta, onde podemos citar o famoso Disco de Newton.

            O cientista dispôs as cores alcançadas através de sua experiência num disco circular. Acionou a manivela, fazendo o disco girar sobre seu próprio eixo (rotação), momento em que as cores se fundiram, dando como resultado final a cor branca. Portanto, amigos, a cor branca tem a sua razão de ser na Umbanda.

Além disto, os sacerdotes umbandistas, quando incorporados por Entidades Espirituais nos trabalhos de caridade, se utilizam do uniforme de cor branca como escudo refletor e repulsor de cargas fluídicas negativas, funcionando tal cor como verdadeiro escudo.

            Esperamos com o que foi discorrido até agora, que os filhos de Umbanda possam ter se esclarecido um pouco mais sobre a importância da cor branca nos rituais umbandistas, e de que a implantação desta cor em nossa religião não foi fruto de opção aleatória, mas sim pautada em seguro e inequívoco conhecimento de quem teve a missão de anunciar a Umbanda.

            Salve o Caboclo das Sete Encruzilhadas!



NA CAUDA DO COMETA



“A Corrente Astral de Umbanda adverte: Falta de raciocínio, lógica e bom senso, faz mal à Religião”.

Descortinamos a presente matéria com o slogan acima citado para fincarmos posição acerca de determinado fenômeno, de teor negativo e nocivo, que parece ganhar corpo dentro de um significativo número de Templos Umbandistas.

            Esclarecer, difundir e enaltecer esta grande e belíssima religião que é a Umbanda sempre foi, é e será nossa proposta. E para se alcançar tais finalidades é preciso não só falar sobre os aspectos positivos dentro de nosso segmento religioso, mas também apontar acontecimentos dentro do Movimento Umbandista que vão de encontro, vale dizer, que afrontam os princípios salutares da Umbanda, bem como deixam indignados os que professam o religare com amor, renúncia e responsabilidade.

            Neste sentido, um evento bastante preocupante começa a expandir-se continuamente em muitos terreiros, verdadeiro vírus a infectar a capacidade intelectiva de sacerdotes e fiéis. Referimo-nos a tenebrosa e conhecida “Lavagem Cerebral”, ou como correta e doutrinariamente nominamos Indução Mental Massificada de Conteúdo Negativo.

            Largamente utilizado como ferramenta de manobra pela esmagadora maioria dos religiosos protestantes neopentecostais (“evangélicos”), este procedimento enclausurante consiste em incutir e enraizar na psiquê dos adeptos uma gama de informações de interesse do agente, utilizando-se de técnicas de neurolinguística e repetição gesticular, reprogramando a mente dos fiéis conforme a conveniência e os propósitos a serem alcançados pelo indutor.  Além deste resultado funesto, a “lavagem mental” funciona também como poderoso bloqueador de raciocínio, anulando total ou parcialmente a capacidade de indagações ou questionamentos sobre as informações recepcionadas, e bem assim repelindo quaisquer esclarecimentos que se contraponham a elas (as informações).

            Mais para que haja plena eficiência na aplicação dos métodos persuasivos retrocitados é necessária uma predisposição do público-alvo a ser sugestionado e subjugado mentalmente. Fatores como ignorância (falta de conhecimento), desespero e fé irracional costumam se revelar como circunstâncias de extrema valia para o sucesso de ignóbil empreitada. É que estas situações impedem o indivíduo de seguir as regras básicas diante de argumentos que lhes são dirigidos, a saber: captação de notícias, reflexão/questionamento, absorção/assimilação ou rejeição/repúdio.

            Temos observado em programas de televisão patrocinados por diversas denominações “evangélicas” a aplicação destes processos de controle e dominação da mente humana. Manipulando palavras, difundindo sofismas, pervertendo as diretrizes da Espiritualidade e confinando o raciocínio dos seguidores no curral das atrofias, vão os “religiosos” com retórica de senadores da antiga Roma se locupletando dos dízimos e ofertas, empurrando para o calabouço das ilusões os desesperados, ignorantes e medrosos.

            E para a nossa tristeza e irresignação alguns dirigentes físicos de Templos Umbandistas, acompanhantes assíduos das programações televisivas “evangélicas”, aprenderam os métodos de espoliação financeira e domínio da mente com aqueles que atacam nossa religião; não perderam tempo em copiarem de seus “professores” as técnicas de escravidão psicológica, fazendo de médiuns e assistentes meros robôs, cuja alienação mental impede qualquer reação a esta estratégia espúria que tanto mal faz às pessoas.

            Aos que têm olhos abertos e percepção aguçada, atentos mais ao conteúdo do que a forma, é fácil visualizar este sistema de opressão mental praticado por alguns dirigentes de núcleos umbandistas, àvidos por alcançarem os mesmos resultados obtidos por seus colegas “evangélicos”.

            Detectamos dentro do Movimento Umbandista a difusão de certas doutrinas e filosofias que parecem subestimar a inteligência das pessoas. Seus idealizadores, gananciosos e insensíveis aos apelos do Plano Astral, propagam preceitos, conceitos e métodos de trabalho incoerentes e impertinentes, infundindo em terceiros que sua “escola” doutrinária é a detentora da verdade, é imaculada e proveniente das altas esferas espirituais. Semelhante a certos “religiosos” protestantes que tentam desqualificar o labor umbandista entre seus seguidores anencéfalos, depreciam, menosprezam e ofendem todos aqueles que não se curvam as suas investidas, que fazem uso do raciocínio, do bom senso e da lógica para recusarem argumentos infundados, E estes intitulados dirigentes “martelam” diuturna e maciçamente serem os proprietários dos mistérios divinos e únicos porta-vozes do mundo espiritual. É a expressão clara da tão conhecida e velha luta pelo poder, pelo monopólio doutrinário religioso, pelo controle da religião e da mente de sacerdotes, fiéis e simpatizantes.

            Sempre que nos é permitido, costumamos aconselhar aos adeptos da Umbanda a se valerem de cabíveis instrumentos de defesa contra esta avalanche de modismos, invencionices e disparates que se infiltram nos Templos Umbandistas. Exortamos os irmãos de fé a se instruírem doutrinariamente, a não assimilarem determinados ensinos sem antes passa-los pela peneira da razão, da credibilidade e da respeitabilidade, a não se assombrarem ou impressionarem com palavras ou discursos de efeito, com promessas de ganhos fáceis e resolução de todos os problemas existentes. “Passe de mágica” só existe na imaginação daqueles que utilizam artifícios malévolos para fazerem vegetar a mente humana, deixando-a em estado de inércia intelectual, apta a ser manipulada como inanimada marionete no teatro da vida.

            Não obstante ter-se à disposição um grande acervo histórico sobre as vertentes negativas nas relações religião-homem-religião e de seus reflexos fúnebres dentro dos sistemas religiosos que nos são conhecidos, oportuno ao conhecimento de que até onde chega a ambição, o devaneio e a maldade de alguns, os incautos preferem baixar a guarda e se deixarem levar pela correnteza da subserviência. Hipnotizados pela “luminosidade” do cometa, seguem seu rastro de forma impassível, em sua cauda, sem perceberem que tal astro, embora altivo em sua forma, é matéria que por onde passa e toca deixa rastros de destruição.

            Você, irmão umbandista, fiel às bases e diretrizes de nossa iluminada religião, não se deixe contagiar por este vendaval que tenta arrasta-lo para exotismos verbais e excrescências comportamentais. Lute como um verdadeiro e aguerrido filho de Umbanda, procurando caminhar com luz própria, a dispensar a luminescência artificial de terceiros.

            Saravá Umbanda!